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Review de Blue Dragon para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Blue Dragon é o primeiro RPG tradicionalmente japonês a pousar no Xbox 360, e seguindo um estilo que tem algo de Final Fantasy, algo de Dragon Quest e algo de si próprio, cumpre seu papel de tentar popularizar o gigante branco da Microsoft em terras orientais. Infelizmente, por ser tradicional demais, acabou ficando com muita cara de ???geração passada???, e uma equipe dos sonhos (composta pelo produtor de Final Fantasy V, o compositor Nobuo Uematsu e ninguém menos que Akira ???Dragonball Z??? Toriyama) que prometia muito acabou decepcionando.

Dragões Azuis


Blue Dragon se inicia na vila onde vivem o destemido Shu, a bela Kluke e o esperto Jiro, e onde, todos os anos, um estranho evento ocorre: trazido por nuvens púrpuras, o terrível tubarão de areia surge e destrói tudo em seu caminho. Neste ano, no entanto, os três amigos resolveram desafiar a terrível besta. Três crianças contra um enorme tubarão feito de metal não é uma luta honesta e, após algumas reviravoltas, eles se vêm defronte o dono da criatura ??? Nene, vilão principal da história. Fugindo deste e de sua tropa de robôs malignos, as crianças são auxiliadas por forças externas que as concedem o poder de usar ???magia??? na forma de dragões azuis formados por suas sombras (daí o nome do jogo), que atacam seus inimigos e os permitem utilizar diversos feitiços e habilidades especiais.

Este início é um tanto maçante, e o jogo demora um bocado para engatar a história principal, mas uma vez que isso ocorre, os eventos se desenrolam de maneira interessante ??? nada de especial ou realmente novo, mas uma tradicional saga de heróis escolhidos para salvar o mundo que ocupa um espaço que o Xbox 360 tinha vazio em sua biblioteca. O carisma dos personagens, incluindo aí terrível vilão Nene (que mais parece Kami-sama), transmitido de maneira excelente por Toriyama, é suficiente para tornar o jogo uma experiência agradável, que se desenrola suavemente ao longo de dezenas de horas e 3 DVDs de informação.

Os três personagens principais, assim como os outros que surgem mais tarde, possuem uma espécie de sombra no formato de dragões azuis (daí o nome do jogo) que surgem para auxiliá-los durante o combate. Estas sombras são suas armas, atacando os adversários em seu lugar através de golpes normais, especiais ou feitiços, e substituindo armamentos presentes em jogos do gênero, como espadas e lanças. Cada sombra possui diferentes capacidades, definidas pela classe adotada pelo personagem.

Inicialmente, é possível escolher entre espadachim, mago branco e mago negro, mas com o ganho de níveis (através de experiência conquistada derrotando inimigos), novas classes como o monge, assassino e mago de suporte são desbloqueadas. Essas classes evoluem paralelamente aos personagens e é possível misturar algumas de suas habilidades permitindo uma boa customização, mas, ao mesmo tempo, deixando todos os personagens iguais e genéricos demais, sem habilidades especiais específicas, como costuma acontecer em outros jogos do gênero.

Não existem batalhas aleatórias: todos os monstros aparecem andando pelo campo e pode-se optar por lutar ou tentar se esquivar deles ao cruzar cada área do mundo. Uma característica única de Blue Dragon se apresenta quando o jogador decide encarar uma briga e pressiona o gatilho direito, fazendo surgir um círculo que pode englobar diversos monstros, tornando possível lutar contra vários deles ao mesmo tempo. Isso traz duas vantagens interessantes: uma delas é que, ao derrotar o primeiro monstro, antes do segundo surgir, é girada uma espécie de roleta que confere um bônus qualquer ao grupo, como maior ataque ou defesa, recuperação de energia, etc.; além disso, caso monstros inimigos entrem em uma mesma batalha, eles irão brigar entre si, podendo se matar ou anular alguns de seus poderes. Com isso, a estratégia já começa antes mesmo do início de cada combate.

Existe uma diversidade de ações que podem ser executadas durante os combates, de acordo com as classes da sombra de cada personagem e da configuração de suas habilidades. Os ataques e magias proporcionados podem ser normais ou carregados, o que os torna mais lentos, porém mais poderosos. Uma infinidade de itens e acessórios completa o quadro, mudando estatísticas, causando certos efeitos nos inimigos, curando, recuperando magia, enfim, tudo o que há no cardápio de um RPG deste porte é visto em Blue Dragon. Aliás, é interessante notar a impressionante quantidade de itens encontrados no jogo; atrás cada pedra, embaixo de cada galho de árvore ou dentro de vasos de plantas se esconde-se pelo menos uma moeda de ouro ou um medicamento.

Sombras


Graficamente falando, Blue Dragon é bonito, mas não impressiona. O design dos personagens é excelente, mas seu visual é um tanto vazio, com poucos acessórios e roupas muito simples, assim como os cenários que, apesar de enormes e preenchidos com arcas por todos os lados, possuem poucos detalhes, diferente de jogos similares, que são usualmente ricamente detalhados. Os inimigos variam do ridículo ao impressionante (o que parece ser intencional), com destaque para os chefes ??? cheios de efeitos especiais. Os efeitos de luz são bonitos e bem acabados, e a câmera possui um efeito ???borrão??? similar ao de Gears of War quando se movimenta rapidamente. Em alguns pontos nos quais ocorre uma grande concentração de efeitos especiais o jogo costuma apresentar slowdowns, mas nada que incomode demais.

Com Nobuo Uematsu liderando a trilha sonora, já era de se esperar as excelentes melodias, e elas se integram tão bem ao jogo que passam despercebidas em vários momentos, porém nunca falham em deixar marcas. A maioria dos chefes compartilha uma música própria ??? um rock???n???roll pauleira que mexe com os ânimos de qualquer um, e cada personagem importante da história possui seu próprio tema, todos memoráveis. Os efeitos sonoros são bons, mas sem muito destaque.
Misturando controles simples a uma jogabilidade descomplicada de combates baseados em turnos, o título é simples de conduzir, o que o leva a outra falha: seu nível de dificuldade. Blue Dragon é muito fácil, e pode ser finalizado até por jogadores casuais sem maiores problemas, e sem que estes sequer tomem conhecimento da tela de Game Over (será que ela existe mesmo?). Infelizmente, ao contrário de todas as expectativas, o jogo não trouxe grandes inovações, prendendo-se à fórmula padrão dos diversos Final Fantasy do Super Nintendo e ficando com cara de velho. Poderia ter nascido um clássico, mas acabou sendo apenas mais um.




O Veredicto
: Blue Dragon é basicamente competente. Não é um título que leva o 360 sequer próximo dos limites de seu hardware, mas que apresenta de maneira graciosa uma história que já foi contada diversas vezes, mas que agrada razoavelmente em suas aproximadas 50 horas de campanha. Tendo em mente a equipe que o desenvolveu, era de se esperar que Blue Dragon fosse um verdadeiro estouro, mas, aparentemente, Hironobu Sakaguchi ainda está vivendo a era do primeiro Playstation, e precisa evoluir alguns níveis para conseguir se destacar nesta nova geração.


Prós:

- Design dos personagens lembra os belos Dragon Quest e Dragonball;
- Elevado grau de customização;
- Trilha sonora excelente.


Contras:

- Não trouxe inovações;
- Pobreza nos detalhes;
- História se desenvolve em um ritmo lento demais em vários momentos.


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