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Review de Stranglehold para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Hard Boiled (Fervura Máxima no Brasil), filme do diretor John Woo lançado em 1992 nos cinemas, até hoje é uma grande referencia para filmes e jogos de ação, sendo o excelente Max Payne, da Rockstar/Remedy, o mais notório a sugar desta fonte. Então não é surpresa alguma que, quando Woo decide entrar para o mercado dos games, com uma ???seqüência espiritual??? de seu icônico filme, esse seja bem parecido com o jogo da Rockstar.

A semelhança não é nada que conte pontos contra Stranglehold, da mesma forma que o fato de Max Payne ser inspirado em Hard Boiled só trouxe benefícios. São todos ótimos antecedentes para um bom jogo de ação. No caso de Stranglehold, o jogo ainda pega emprestado o personagem central do filme, o inspetor da pólicia de Hong Kong ???Tequila??? Yuen, interpretado por Chow Yun Fat, mais conhecido por aqui pelo papel de Li Mu Bai em ???O Tigre e o Dragão???.

Fervura Máxima


A história de Stranglehold não começa com o gancho mais criativo do mundo, mas certamente é o tipo de enredo que combina bem com o estilo do jogo: um agente da pólicia de Hong Kong está desaparecido, e o departamento local recebe uma ligação anônima requisitando que um único oficial apareça para negociar com os supostos seqüestradores. O inspetor Tequila então se voluntaria para conversar com os bandidos, à sua moda: descarregando balas em todos eles. ?? uma história superficial, mas comparável a alguns bons filmes de ação por aí, e serve como uma ótima desculpa para metralhar legiões de mafiosos orientais.

E é aí que se encontram os principais elementos da jogabilidade de Stranglehold: no tiroteio. A tentativa dos produtores de transmitir a estética cinematográfica de John Woo para os videogames é válida, e além de visualmente bonito, os tiroteios do jogo são bem divertidos. Em Stranglehold, não basta matar um inimigo: tem que matar com estilo. E são muitos os mecanismos que garantem que o jogador, querendo ou não, mate bonito. O principal deles é o chamado ???Tequila Time???, que apesar do nome sugestivo, não é nada diferente do bom e velho Bullet Time, o efeito que faz com que tempo passe mais devagar, possibilitando que o jogador desvie dos disparos inimigos e tenha mais tempo para mirar com precisão.

O diferencial em Stranglehold é a forma com a qual esse modo é ativado. Sempre que o jogador faz algo cinematográfico, como descer corrimões atirando, saltar em direção ao chão, ou mesmo obter cobertura, o bullet time é ativado, contanto que a mira esteja na direção de inimigos. Também é possível ativar o modo apertando um botão, mas isso é algo bem pouco utilizado. Além de funcionar bem, o sistema incentiva o jogador a eliminar os inimigos da forma mais exagerada e sacal possível, pois matar com estilo faz também com que seja preenchida uma barra especial, o medidor de ???Tequila Bomb???.

O Tequila Bomb é a barra de energia utilizada pelo inspetor para realizar movimentos especiais. Existem quadro coisas que podem ser feitas com ela: uma cura rápida para o personagem; um tiro de precisão em um alvo distante; ativar um modo ???Barrage???, onde o jogador ganha munição ilimitada, invulnerabilidade e atira mais rápido; e, finalmente, usar o ataque giratório, que funciona de forma simples e prática: Tequila atira para todos os lados e elimina todos inimigos no seu campo de visão, exceto os chefes. Bem funcional.

Outro ponto importante da jogabilidade cinematográfica de Stranglehold são os chamados ???stand offs???, que são aqueles momentos em filmes de ação onde os personagens estão uns com as armas apontadas para os outros, de forma que ninguém tem a iniciativa de atirar primeiro. Em Stranglehold, o inspetor Tequila não costuma esperar para atirar. Nesses momentos, tudo que o jogador deve fazer é movimentar o corpo de Tequila com a alavanca analógica direita, mirar com a esquerda e atirar com o gatilho direito. Algo absurdamente simples, mas igualmente divertido.

Também merece ser destacada a interação com o cenário, que funciona ao estilo de filmes chineses de ação contemporâneos: é possível se pendurar em lustres e atirar, saltar em corrimãos e paredes, e o mais interessante, destruir muitas partes do cenário, principalmente aquelas que servem de cobertura para os inimigos (e o jogador também).

Curto e grosso


Outro ponto curioso de Stranglehold é a forma com a qual o jogo se desenvolve: apesar da ação estar presente desde o começo do jogo, parece que nas primeiras fases os produtores tentaram encaixar elementos mais ???complexos??? na receita, como puzzles que pedem interações com o cenário (em que o jogador precisa atirar em algo para abrir seu caminho), objetivos que não envolvem apenas atirar em tudo que se move e outros. Mas pouco antes da metade do jogo esses elementos acabam esquecidos e o resto passa a envolver apenas trocas de balas e suas variações. Parece até que o jogo foi desenvolvido por duas equipes simultaneamente, e enquanto uma queria um jogo de ação ???puro???, a outra arriscou um pouco de aventura também. Ambas as partes são divertidas, mas a quebra no ritmo é bem brusca e perceptível.

Mas, além de pequenos bugs gráficos ??? incluindo uma movimentação um tanto grosseira do personagem principal --, e irregularidades da jogabilidade, Stranglehold também tem seus defeitos graves. Apesar de serem divertidos, os tiroteios acabam ficando bem repetitivos e cansativos com o tempo. Mas isso só não é um problema maior por que foi remediado da pior forma possível: o jogo é curtíssimo, e quando a repetição começa a cansar, tudo acaba. ?? possível terminar a aventura do inspetor Tequila tranquilamente em seis horas, ou até menos para os apressadinhos. ?? longo demais para um filme de ação e curto demais para um jogo.

Para tentar amenizar o problema, Stranglehold conta com um modo multiplayer que poderia até aumentar a vida útil do jogo, mas a verdade é que não existe nada que faça com que valha a pena jogar mais que umas poucas partidas pela Live, pois o modo é bem genérico e limitado, e no final das contas, é só mais um ponto a ser criticado.



O Veredicto
: Stranglehold consegue cumprir com a maior de suas ambições: transportar a linguagem cinematográfica de ação de John Woo para os videogames, com uma jogabilidade intuitiva e dramática. Mas o jogo falha em diversos outros pontos essenciais para um bom shooter, como a curta duração e tiroteios que acabam sendo repetitivos e cansativos com tempo. Algumas horas a mais de jogo, um pouco mais de variação nos combates e uma animação mais suave elevariam bastante o valor de Stranglehold. Mesmo assim, é um jogo com alguma ambição e que pode entreter em suas poucas horas.


Prós:

- Tiroteios bem divertidos;
- Bem ao estilo cinematográfico de John Woo;
- Cenário interativo;


Contras:

- Pequenos bugs técnicos;
- Animação simples;
- Curtíssimo: menos de seis horas;
- Repetitivo e cansativo, apesar da curta duração.


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