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Review de Eternal Sonata para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


O idealizador de Eternal Sonata, Hiroya Hatsushiba, disse que gostaria de fazer um jogo de RPG para os amantes de música clássica. Buscou referências visuais nas pinturas do século XIX e na vida do famoso compositor Frederick Chopin. Um estilo bem japonês de criar RPG com simbolismos em todos os cantos. Mas será que acertaram o tom?

Dó Ré Mi


Eternal Sonata começa expondo as últimas horas de vida de Chopin. Em seu leito de morte, o compositor sonha com um mundo onde buscará a resposta para bater as botas em paz. Soa bastante depressivo, mas ao mesmo tempo, intrigante.

Neste mundo que o compositor ???sonha???, a garota Polka (todos os personagens têm nomes relacionados à música) possui uma doença que lhe dá poderes mágicos de cura, mas também a condena a morrer jovem. ?? quando descobre sua condição que Polka encontra o próprio Chopin. Eles saem em uma jornada ???existencial??? e acabam se unindo a outros personagens que buscam encontrar o Rei Waltz e evitar uma grande guerra envolvendo o misterioso Mineral Powder, que transforma as pessoas em seres cruéis.

A trilha que embala esta jornada obviamente contém composições originais de Chopin e conta com a maioria de suas músicas feitas pelo competente compositor Motoi Sakuraba. Para quem curte música clássica, é um prato cheio.

Os gráficos são encantadores e muito bem renderizados em ???cel shading???. O estilo mangá é o que delineia os rostos dos personagens, com um ar bastante infantil. Estranho se imaginarmos que Chopin morreu aos 39 anos e nunca tinha visto um mangá na vida. Mas é um RPG japonês, e aqui a imaginação não encontra barreiras na lógica. Este mundo então, idealizado, possui cores que criam um cenário lúdico onde luz e sombra fazem um jogo interessante não somente nos ambientes, mas também nas batalhas.

Partituras


Em Eternal Sonata, os encontros com inimigos não são randômicos, já que jogador pode visualizá-los enquanto atravessa o cenário e escolher se vai enfrentá-los ou não. O sistema de batalha inovador mescla tempo real com batalhas em turno de uma maneira bem interessante: quando o modo de batalha é acionado, aparece uma barra de tempo lateral, que exibe quanto tempo de ação o personagem possui para atacar. Esta barra é individual para cada personagem na luta, e começa a correr assim que ele realiza uma ação. Existem dois tipos de ataques, um forte e lento ou fraco e lento. Os fortes só podem ser liberados até uma determinada contagem da barra de tempo, portanto quanto menos tempo possuir, mais fraco será seu ataque.

Os botões do controle se destinam a ações diretas. Um é ataque, outro defesa, outro mágica, outro aciona itens. A ação do botão de defesa é muito importante: como os ataques acontecem em tempo real, o jogador tem a chance de se defender a tempo. Para isso, aparece sobre o personagem um ícone que avisa o melhor momento para bloquear o golpe e assim receber menos dano. Todo o menu de ações fica exposto na tela, o que deixa fácil pegar o jeito da coisa. ??s vezes, fácil demais. Para combater isso, os criadores do jogo tiveram uma idéia: além dos personagens subirem de nível, o sistema de batalha também vai ficando cada vez mais difícil e exigente com as ações que o jogador toma.


Em Eternal Sonata, a luz e a sombra possuem papéis importantes na batalha. A sombra é capaz de transformar monstros pequenos em criaturas maiores e influencia nos golpes que o personagem pode dar. Aproveitar o terreno é essencial, já que nele encontram-se espaços com luz e sombra e é preciso saber se posicionar para um ataque eficiente. Todo o terreno da batalha é explorável, tanto pelo jogador quanto pelos os inimigos, e é importante planejar a movimentação por ele antes da barra de tempo começar a correr.

O que incomoda durante estas batalhas tão bem-pensadas são os gritos dos personagens. Eles sempre pronunciam o nome do golpe que dão, sendo que se o jogador der três golpes ouvirá três vezes seguidas ???power slash, power slash, power slash???. Com agravante que as vozes dos dubladores são muito ruins. Com esses berros infindáveis, nem Chopin salva.

Orquestra e Regente


Sonata não apresenta grandes desafios no geral. Escassos e facílimos puzzles em alguns dungeons tiram bastante a graça, e os inimigos se repetem com grande freqüência, fazendo com que o jogador se sinta entediado em vários momentos. A história retilínea e nenhum sidequest significativo pioram a situação.

Juntar dinheiro também é muito fácil: Beat, um dos personagens, possui uma câmera fotográfica (como em Dark Cloud e Zelda The Wind Waker) e pode fotografar os inimigos em batalha para vender depois. Logo no primeiro dungeon é só fotografar o chefe para conseguir $20.000 em ouro ao vendê-la, sendo que os itens possuem preços em torno de $100. Ou seja, bonança é o que não falta e fome ninguém passa.

Neste ???pastiche??? cultural e musical, a história mistura a vida real de Chopin com o mundo fantástico do jogo de uma maneira nada original. Para contar a história de Chopin, aparecem ???slides??? de interlúdio, com imagens bucólicas dos lugares onde o compositor viveu. Legendas descrevem os fatos de sua vida enquanto músicas de sua autoria tocam ao fundo. Isso quebra bastante a continuidade do jogo, fazendo com que o jogador encontre neste show de slides o momento ideal para ir ao banheiro ou tomar uma água.


O Veredicto
: Eternal Sonata é um jogo que tenta unir arte com divertimento. Os cenários lúdicos, muito bonitos, inspirados em pinturas, combinam bem com a trilha clássica. Por mais que tentem florear, a verdade é que a história de Eternal Sonata é um grande clichê de RPG escondido atrás da imagem do compositor Frederick Chopin. Um RPG retilíneo, com uma história que a princípio parece muito bonita, mas que vai ficando lugar comum. Os interlúdios ao pior estilo PowerPoint dão o toque ???cafona???, e as batalhas, mesmo com o sistema dinâmico, não animam pela repetição de inimigos e de berros inúteis dos personagens. Enfim, acertos visuais e sonoros não fazem um acerto completo.


Prós:

- Lindos gráficos;
- Trilha sonora bem-feita;
- Sistema de batalhas que sai da mesmice.


Contras:

- História retilínea sem sidequests;
- Power Point no Xbox 360?
- Repetição de inimigos;
- As vozes dos personagens berrando sempre as mesmas coisas na batalha.


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