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Review de MySims para Wii de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


MySims é mais uma empreitada no universo destas simpáticas criaturas conhecidas como Sims, com as quais muitos jogadores andam trocando suas vidas. Como um spin-off, este título diverge dos originais em vários aspectos, oferecendo uma modalidade diferente de jogo para os que já estão cansados das simulações padrão, ou mesmo para aqueles que não tiveram apego pelas versões anteriores. Contando com um visual "bonitinho" que lembra demais os brinquedos LEGO, a idéia de ajudar a comunidade criando sua própria cidade ao invés de uma única família e controles simplificados com diversas opções que abusam dos sensores de movimento do Nunchuck, MySims tenta conquistar os jogadores de consoles assim como The Sims conquistou os dos PCs.

MyCity


MySims é um jogo descomplicado desde o princípio, quando é necessário apenas escolher o nome da cidade onde o personagem principal vai morar, bem como seu nome e sua aparência dentre um grande número de rostos, cabelos e roupas que definirão sua identidade e até mesmo seu sexo. Assim que fica pronto, ele chega em uma pequena cidade, sendo recepcionado pela prefeita, que lhe conta a triste história do lugar: há muitos anos viveu lá um Sim com uma capacidade fantástica - a de criar objetos a partir de Essências - algo que trouxe ao povo da cidade felicidade e prosperidade. Mas um acontecimento fez este Sim ir embora e, com ele, grande parte da mágica do local. Consequentemente, a maioria da população simplesmente foi embora. Como um Sim com a mesma capacidade de moldar Essências e construir coisas, o personagem principal recebe a missão de reconstruir a cidade e atrair para ela o maior número possível de moradores, retornando a felicidade e a prosperidade a seus habitantes.

No meio da conversa, já é repassada a primeira de muitas missões do jogo: o Sim deve construir sua casa e, logo depois, sua oficina de trabalho, onde criará as coisas que os outros habitantes da cidade lhe pedirem. Aqui já surgem algumas diferenças, especialmente no fato de a casa ser construída por dentro e por fora de maneiras diferentes, e não integradas como ocorre no jogo original. Por fora as coisas têm uma aparência de blocos de montar, muito similares aos brinquedos LEGO, e por dentro, são bem similares às casas dos Sims originais; no entanto, não importa como uma casa se pareça por fora, ela sempre vai ser igual por dentro às outras de seu tipo. A casa do personagem principal sempre tem o mesmo formato, assim como as lojas de flores, os restaurantes etc., alterando o estilo entre uma e outra apenas pelos seus móveis e decoração interna.

Após construídos os dois lares do personagem, a prefeita pede que ele faça seu primeiro móvel: uma cadeira para a sala de conferências da prefeitura, na qual ela pede que sejam utilizadas quatro maçãs, introduzindo aí outro elemento da jogabilidade: as Essências, que são basicamente objetos, frutas e partes de animais utilizados na criação de novos objetos, podendo ser unidos a eles ou utilizados como tinta, para pintá-los com novas cores. A criação de móveis e utensílios é simples, seguindo uma planta tridimensional translúcida na mesa de trabalho da oficina, na qual diversos blocos são montados, tomando novas formas que vão desde cadeiras a televisões, mesas, fogões e toda a sorte de itens para decorar as casas dos Sims, especialmente a pedido dos mesmos. Daí em diante, o jogo se divide em uma miríade de missões que dependem da busca de diversas Essências, que podem ser simples como chacoalhar árvores e pegar as frutas que caem no chão, pescar alguns tipos de peixes, buscar metais com um detector, conversar com outros Sims e realizar tarefas para eles em troca delas, ou complexas como a exploração de uma floresta ou um deserto próximos à cidade, cheios de cavernas e diferentes territórios. Como não é necessário seguir exatamente as plantas, o uso de diferentes blocos e essências permitem uma customização sem igual das criações dentro do jogo, abusando da criatividade de cada jogador.

Na medida em que as vontades de cada Sim vão sendo satisfeitas pela finalização bem sucedida das missões, mais Sims vão sendo atraídos para o hotel da cidade, onde podem ser convidados a morar nela. Caso aceitem, cabe ao personagem principal construir uma casa que agrade seu gosto (um Sim com cara de metaleiro vai querer morar em uma casa preta com poucas janelas, e não em uma mansão branca com vários anões de jardim), o que é bastante interessante, já que é necessário sacar suas personalidades de acordo com suas aparências. As essências que eles exigem para a criação de seus objetos também dependem de sua personalidade, e variam bastante. Além disso, cada casa ou objeto tem características próprias, conforme os materiais utilizados em sua construção, possuindo diferentes pontuações em estatísticas como "gracinha" ou "estudioso", apontando a personalidade adequada que o morador do local deve possuir, ou vice-versa.

Quanto maior a cidade, mais difícil é satisfazer as necessidades de todos os Sims, mas mais estrelas são recebidas (como um hotel), expandindo ainda mais sua capacidade e abrindo novas áreas para ocupação, o que, conseqüentemente, traz novas essências que devem ser buscadas e novas tarefas a serem cumpridas. Apesar de os minigames para conseguir as essências serem divertidos, acabam tornando-se muito repetitivos devido à necessidade constante por mais e mais delas. A repetição parecia mais interessante nos jogos principais da franquia, cuja proposta era a de simular uma espécie de "vida real", e mesmo que MySims tenha uma proposta diferente (a de criar uma cidade com a qual o jogador se identifique, seja sua cara), os programadores tentaram não afastá-lo tanto de certas origens, causando estranhamento e cansaço aos menos pacientes.

Muitas das rotinas dos jogos anteriores, como fazer comida, comer, dormir, tomar banho, ir ao banheiro, limpar a casa e arranjar um emprego para ganhar dinheiro também foram eliminadas, restando basicamente o cumprimento das tarefas e o design de centenas de objetos - uma mudança notável no foco da série, provavelmente em uma tentativa de atrair novos jogadores que preferem uma experiência menos complexa, além de aproximar os Sims um pouco mais do público oriental, com o qual jogos de simulação no estilo de Animal Crossing e Harvest Moon fazem maior sucesso, e os quais MySims busca emular em alguns aspectos.

The MySims


Graficamente falando, MySims é um jogo bonito e polido. Os personagens são representados em um estilo que mistura animes super deformados (SD) - os famosos personagens cabeções dos desenhos japoneses - e bonecos de lego, este último reforçado pelo fato de todas as construções terem blocos como sua base. Tudo é muito colorido e exagerado, criando um clima de desenho animado infantil muito gostoso e que acompanha bem a proposta do jogo. A cidade terá a imagem que o jogador definir durante sua elaboração, e os moradores que ele desejar convidar para viver lá, tornando-a "sua cidade" de uma maneira que poucos jogos permitiram. Alguns serrilhados infelizmente escaparam aos olhos dos desenvolvedores, e sua presença é incômoda em algumas partes por se movimentarem junto com os Sims.

A trilha sonora se mescla bem ao clima do jogo, fazendo seu trabalho sem destaques, e as faixas são variadas o suficiente para não se tornarem repetitivas após as muitas horas de jogo. Os efeitos sonoros são bem trabalhados, e muitos deles lembram os de The Sims 2, o que deve agradar aos fãs da série principal.

O esquema de controle é um dos pontos fortes do jogo: o personagem é movimentado pelo direcional do nunchuck enquanto uma seta controlada pelos movimentos do Wiimote seleciona alvos e executa ações com o uso do botão A. O botão B também é utilizado em diversos minigames, como por exemplo, para derrubar frutas das árvores, o jogador segura o B e sacode o controle até elas caírem. Várias tarefas são realizadas bastando selecionar o objeto e, em seguida, um ícone representando alguma opção de ação naquele objeto, como acender luzes de postes, conversar com outros Sims, usar objetos, dentre outros, tudo de maneira bem intuitiva e descomplicada, maximizando a diversão sem opções complexas. Nas telas de construção, arrastar os materiais é simples, bastando segurar o botão A e guiá-lo com o Wiimote até o local desejado, e a grande quantidade de peças que vão sendo adquiridas ao longo do jogo permite um sem número de criações.

Um dos grandes defeitos do jogo é a enorme quantidade de loadings que ele apresenta. Não que sejam longos, mas a cada nova situação, quer seja entrar em uma casa ou manipular algum item, uma tela onde aparecem vários blocos caindo e algumas dicas surge para mostrar que o Wii está carregando algo em sua memória. Mesmo que ela dure apenas um ou dois segundos, é irritante o volume de vezes em que ela surge, fato que pode facilmente afastar os menos pacientes com menos de meia hora de jogatina. Isso parece ter sido uma mancada da EA, visto que títulos com gráficos e efeitos bem mais pesados, como o recente Metroid Prime 3 ou Resident Evil 4 não parecem sofrer tanto do mal do carregamento.

Para aqueles que buscam uma experiência nova, MySims pode agradar, especialmente aos que já são fãs das séries Animal Crossing e Harvest Moon, com as quais este jogo carrega mais similaridades. Aos que andam procurando uma nova expansão de The Sims, talvez seja melhor buscar em outro lugar.



O Veredicto
: Apesar de ser uma nova proposta dentro da franquia The Sims, MySims não apresentou grandes inovações dentro do gênero maior dos simuladores de vida. Mas foi boa a tentativa da EA em agradar ao público oriental (ou ocidentais que curtem o estilo oriental), aproximando os Sims tanto do visual quanto da temática de jogos famosos naquelas praias, e com uma identidade mais "Wii" do que o recentemente lançado The Sims 2: Pets para o console. Sua jogabilidade, inclusive, combina melhor com os consoles, uma vez que controles diferentes da combinação mouse+teclado não parecem se adaptar bem aos The Sims originais. A falta de inspiração, muitos loadings e missões repetitivas que sempre acabam na criação de algum novo artefato resultaram em um jogo sem sal do qual o jogador perde rapidamente o interesse.


[t1]Prós:[/t2]

- Gráficos simpáticos e muito coloridos;
- Jogabilidade simples, para o gamer casual;
- Liberdade de ação, é possível ficar jogando por horas sem realizar as missões.


Contras:

- Quantidade excessiva de loadings;
- Repetitivo e repetitivo. Já disse repetitivo?


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