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Review de Skate para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Com um nome simples, porém eficiente, Skate é a resposta da EA para a série Tony Hawk, que há anos domina o gênero e fez da Activision uma ameaça ao posto da EA publisher número um do mundo.

O novo jogo segue um caminho diferente de seu famoso concorrente, abandonando a idéia de um estilo arcade para apresentar uma jogabilidade mais realista e complexa, condizente com a simulação que a empresa busca em seus outros títulos esportivos.

San Vanelona
Skate se inicia com um pequeno vídeo que conta a história do jogo: um adolescente sofre um acidente envolvendo um carro, um skate e uma dose de irresponsabilidade, e acaba hospitalizado por algum tempo. Quando se recupera, decide que está na hora de tirar o atraso e participar de famosos campeonatos e cumprir diversos desafios para escalar os rankings dos melhores skatistas do mundo. Isso será feito através da cobertura de seus feitos por duas revistas de Skate virtuais, que lhe darão mais destaque em matérias e capas de acordo com suas pontuações nos eventos ao redor da cidade de San Vanelona. Este personagem é customizável, permitindo que sejam escolhidos tipos de rosto, corpo, aparência, cabelo, roupas e acessórios, que podem inclusive ser adquiridos durante o jogo para incrementar seu visual.

A cidade fictícia, localizada nos EUA, é um local enorme e aberto à exploração (como as cidades de GTA), com muitas áreas pelas quais estão espalhados bancos, canos, escadas, carros, pessoas, pistas de skate, piscinas vazias, enfim, um sem número de obstáculos para passear sobre o skate e conseguir as melhores fotos e vídeos, não apenas para aparecer nas revistas, mas também para ganhar acesso aos campeonatos que pipocam constantemente no local. Um detalhe interessante é que em algumas áreas é proibido andar de skate, e é emocionante tentar escapar dos seguranças ao mesmo tempo em que se tenta realizar truques e manobras radicais. Ao longo do jogo, vários novos locais são destravados com o cumprimento de pequenas missões (que variam desde seguir outro skater a filmar vídeos incrivelmente perigosos), e um amigo constantemente envia mensagens ao personagem principal informando-o sobre novos torneios e eventos.

A navegação pela cidade pode ser feita de duas maneiras: rolando por aí em cima do skate ou acessando um menu com checkpoints para os quais é possível ser "instantaneamente" teleportado (entre aspas porque os loadings do jogo são incrivelmente longos, e a não ser que o local para onde se está tentando ir seja realmente distante, é preferível percorrer o caminho).

A simulação é interessante porque baseia-se inteiramente nas habilidades do jogador, e não nas do personagem controlado. Não são adquiridos novos truques ou movimentos ao longo do jogo, nem existem características a aumentar; tudo depende da coordenação no uso do controle e na persistência em se levantar após as muitas quedas que ocorrerão enquanto se aprende como realizar cada manobra e como transpor cada obstáculo. Acompanhado por uma física bem realista (exceto por um ou outro lapso durante certos pulos), Skate exige muito treino e concentração (além de paciência), principalmente nos timings e posições ideais para cada manobra - um segundo ou um milímetro são a diferença entre ganhar um campeonato e beijar o chão.

A câmera do jogo funciona como uma espécie de filmagem do personagem principal pelas costas, mais ou menos na altura da cintura, o que é um problema, já que não existem controles para mudá-la. Como se a câmera fixa não fosse o suficiente, o skatista é bem grande, e acaba atrapalhando a visão de algumas partes do cenário, dificultando manobras como passar com o skate por locais perigosos ou calcular bem um salto. Caso o ângulo fosse um pouco acima do personagem, permitindo uma visibilidade mais clara da área (e dos vários obstáculos), a jogabilidade seria bem mais simples e as constantes quedas um pouco menos frustrantes.

Além do modo carreira e do free play (onde a carreira é deixada de lado para apenas curtir uma volta pela cidade), existem várias modalidades de interação na Live. Existem desafios de pontuação (onde quem faz as melhores manobras sai vencedor), corridas de obstáculos e até mesmo um editor de vídeos e fotos que pode ser usado para compartilhar os melhores momentos de cada skatista virtual, inclusive podendo ser postados no próprio site do jogo. Infelizmente, algumas das áreas onde ocorrem disputas entre os jogadores são muito pequenas, e são constantes as reclamações de pouco espaço para as manobras (os skatistas ficam se chocando e caindo o tempo todo) e lags constantes.

X Games
Em termos gráficos, Skate é extremamente realista, com visuais detalhados e muito caprichados. Algumas coisas que chamam muito a atenção são o tecido das roupas que se move com fluidez, os modelos virtuais dos grandes skatistas convidados (como Chris Cole e Danny Way) -- que são realmente parecidos com suas contrapartes do mundo real --, a variedade de veículos e pessoas andando nas ruas e as centenas de diferentes construções que ocupam a cidade e que nunca ficam repetitivas, sem mencionar roupas e acessórios aos montes para personalizar o personagem principal. Os cenários são bastante elaborados, impressionando pelo tamanho e pela distância até onde chega a linha do horizonte, contando com parques, shoppings, áreas residenciais, escolas, tudo muito bem caracterizado. Existem ainda muitos efeitos, como os reflexos dos personagens em superfícies espelhadas e as sombras que acompanham cada manobra e objeto.

A trilha sonora é composta pelas "EA Trax", mas diferente de outros jogos da empresa que têm muita influência de um único estilo (como o pop rock de FIFA e o hip-hop de Need for Speed), Skate possui faixas dos mais diversos gêneros, misturando sucessos da MTV com músicas de bandas mais underground da cena skatista norte-americana. Estas músicas são tocadas durante encontros com outros skatistas, e substituídas por sons mais genéricos de fundo quando se navega pela cidade. Os efeitos sonoros também foram caprichados; o som das rodas rolando ou se chocando contra o chão muda de acordo com o tipo de piso (madeira, ardósia, grama, etc.), o barulho de deslocamento de ar durante as manobras também varia com a violência dos movimentos das mesmas, enfim, houve a mesma preocupação na criação de um clima mais realista que em outras partes do jogo (como física e gráficos). Como se não bastasse, o "câmera-man" que fica seguindo o personagem principal o tempo todo vive comentando sobre suas peripécias, elogiando os melhores truques, tirando uma onda quando ele cai no chão e chamando sua atenção para outros skatistas na área.

Os controles de Skate são um pouco complicados de se acostumar no princípio, baseando-se principalmente no uso dos dois direcionais analógicos: o esquerdo controla a direção do personagem, enquanto o direito é utilizado na realização dos mais diferentes truques (o que a EA chama de Flickit). Por exemplo, para dar um pequeno salto, basta pressionar o direcional para baixo, fazendo o personagem abaixar, e rapidamente pressioná-lo para cima, fazendo o skater se levantar e sair do chão. Ao mover o direcional para alguma diagonal superior, ele executa ainda outro tipo de salto. Essas nuances combinadas com o controle provido pelo analógico esquerdo resultam em uma jogabilidade profunda e, a princípio, complexa, mas que com algumas horas de treino torna-se bastante intuitiva. A curva de aprendizado é um pouco íngreme, mas conforme já dito, existem vários ases do skate espalhados pela cidade para ensinar ao jogador todos os macetes.

Skate reapresenta o gênero, fugindo do erro de jogos anteriores que tentaram apostar na jogabilidade arcade e acabarem massacrados pelo campeão Tony Hawk, acresentando uma opção aos gamers skatistas ou simpatizantes do movimento que buscam novidades.

O Veredicto
Como uma primeira tentativa, a EA já acertou em muitos aspectos com Skate, indo desde a física realista até a jogabilidade diferenciada do "flickit" (controle de manobras que faz uso dos dois direcionais analógicos), mas pecou nos modos multiplayer, que apresentam diversos problemas, e na pouca variedade de missões. O próprio ???flickit??? ainda tem espaço para melhorias, pois os controles estão sensíveis demais, prejudicando certos eventos como aqueles nos quais é necessário copiar exatamente o movimento de outro competidor. Estes defeitos, no entanto, não obscurecem o grande potencial da franquia, já considerada uma alternativa excelente para os que buscam a sensação de montar (e cair) em um skate.

Prós:
  1. Gráficos realistas e fluidos;
  2. Trilha sonora capaz de agradar diferentes gostos;
  3. Sistema de controles inovador, fugindo do esquema de pressionar botões em sequência.


Contras:
  1. Carregamento muito demorado;
  2. Dificuldade aprendizado frustrante;
  3. Eventos multiplayer confusos.



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Outer Space
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