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Review de Zack & Wiki Treasure para Wii de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Inicialmente batizado de Treasure Island Z, Zack & Wiki é um adventure no estilo clássico: aquele de apontar e clicar, como muitos títulos famosos da LucasArts (Sam & Max, Day of the Tentacle, Indiana Jones and the Fate of Atlantis, Full Throttle, The Dig, entre vários outros) e de outras empresas que publicavam jogos para PC entre o final da década de 80 e meio da década de 90. O objetivo é simples: utilizando o ponteiro do mouse (agora o do controle do Wii), é necessário clicar em objetos e personagens espalhados pelo cenário para interagir com eles, solucionando puzzles dos mais simples aos mais absurdos, recolhendo e fazendo uso de dezenas de itens espalhados por cada área.

A Ilha do Tesouro Z


Tudo começa com a apresentação dos personagens principais: Zack é um pequeno garoto com um enorme chapéu que almeija ser o maior de todos os piratas, além de comer barras de chocolate o tempo todo. Wiki é um macaquinho voador dourado que pode se transformar em vários objetos, detentor de uma voz irritante, e que tem prazer em narrar todos os feitos de seu amigo. Ambos pertencem ao bando dos Sea Rabbits (Coelhos Marinhos), um grupo de piratas muito louco composto basicamente por coelhos -- cada um com suas próprias especialidades e manias -- que são de grande ajuda ao longo da aventura. Após as apresentações, segue-se um breve confronto aéreo (sim, eles andam em aviões) entre a dupla e sua arqui-inimiga, a pirata patricinha Capitã Rose, lider do bando Rose Rocks (Pedras de Rose), após o qual Zack e Wiki têm seu avião destruído e acabam sendo jogados em uma estranha ilha onde, por sorte, encontram um baú do tesouro. Após expulsarem um espírito que guardava o mesmo, os heróis abrem sua fechadura e encontram a caveira falante do famoso Capitão Barbaros, que foi amaldiçoado e transformado em uma espécie de esqueleto dourado e que, como se não bastasse, teve seu corpo dividido em 16 partes espalhadas ao redor do mundo. Após ouvirem sua história, Zack e Wiki fazem um acordo com o capitão: eles reuniriam novamente seu corpo se ele os levasse até a ilha onde ele escondeu seu lendário navio pirata ??? o maior de seus tesouros. A confusão estava então armada.

O esquema de jogo é dividido em duas etapas: a base dos Sea Rabbits e as fases espalhadas pelo mundo. Dentro de sua base, Zack e Wiki podem fazer diversas coisas, como consultar informações sobre aliados, inimigos, objetos conquistados e tesouros encontrados, rever as histórias sobre suas aventuras, sua pontuação, conversar com aliados para encontrar pistas e boatos sobre novos tesouros, ler e jogar tutoriais, conversar com Barbaros para saber mais sobre seu passado e os objetos que compõem seu corpo, além de consultar o oráculo, uma velha coelha que aparece para dar pistas em alguns momentos. Mas tudo isso é só o começo.

O verdadeiro recheio do bolo são as variadas fases que representam ilhas, ruínas antigas, tribos indígenas e outros locais piratescos (ou pitorescos), sempre contando com a presença de animais perigosos, nativos pouco amigáveis e vários objetos com os quais interagir, cada uma com um tesouro específico que deve ser conquistado pela solução de diversos puzzles que fazem uso constante do wii-mote. Cada uma delas é, na verdade, um único e enorme enigma que deve ser solucionado aos poucos, bem no estilo de jogos de adventure do passado, recheadas de perigos e becos sem saída que precisam ser evitados.

A princípio, os quebra-cabeças são bastante simples, bastando ter um pouco de imaginação para usar um gancho e fisgar uma chave em cima de uma estátua, ou jogar uma bomba por um escorregador para que ela exploda na cara de algum inimigo sem que ele perceba a presença dos heróis. Com o passar do tempo, no entanto, os desafios vão crescendo e as charadas passam a ter soluções diversas, algumas que facilitam os próximos passos, outras que os dificultam e ainda algumas que impossibilitam o fechamento da fase, obrigando o jogador a reiniciá-la. A chave é observar tudo o que acontece em volta e imaginar maneiras de combinar os diversos elementos de maneira que o resultado permita à dupla conseguir o tesouro local, o que muitas vezes é bem complicado, exigindo que o jogador planeje dois ou três passos à frente para evitar ficar preso e ser obrigado a recomeçar. Os cenários são vistos em uma câmera bem ampla, que pode ser ajustada a qualquer momento, além de afastada para permitir uma melhor compreensão do local e facilitar a descoberta do caminho correto a ser seguido.

Para ajudar Zack, Wiki tem o poder de se transformar em um sino que, ao ser tocado (sacudindo o Remote), transforma os animais próximos em diferentes objetos. Cobras viram braços mecânicos que se esticam estilo cartoon, minhocas transformam-se em canudos, centopéias em serras para cortar árvores, sapos em bombas, etc. Cada animal tem um objeto associado, alguns necessários para avançar nos enigmas, outros apenas para aumentar a pontuação. A interação dos objetos com o cenário é sempre feita por diversos movimentos do controle: a serra corta coisas com o movimento de vai e vem, bombas são largadas segurando-se o remote de lado e abaixando-o, e varas de pescar puxam os peixes com o uso de movimentos bruscos (neste jogo é especialmente importante manter a cordinha amarrada ao pulso, pois às vezes os puzzles surgem de surpresa exigindo movimentos mais exagerados). A solução de cada enigma/mini-game dá ao jogador uma pontuação (medida em HirameQ, uma espécie de capacidade pirata de Zack) que varia com sua eficiência tanto em descobrir o que fazer quanto em vencer o minigame desencadeado por isso. As fases podem ser acessadas novamente mesmo após finalizadas para que o jogador tente conseguir uma pontuação melhor, encontre tesouros mais escondidos que outros ou simplesmente se divirta novamente.

A história se desenvolve com animações feitas usando os mesmos gráficos das fases, de maneira leve e bastante descontraída. Os personagens principais, no entanto, foram muito pouco desenvolvidos, já que o foco quase inteiro do título gira em torno da jogabilidade e dos puzzles, e mesmo que sejam marcantes, ambos ficam em segundo plano perante sua a carismática Capitã Rose e o divertido pirata Barbaros.

Como se isso tudo não bastasse, os dois pequenos piratas contam ainda com as Oracle Dolls, pequenas bonecas que podem ser sacrificadas ao oráculo que desce dos céus (e que na verdade é uma velha coelha dos Sea Rabbits disfarçada e sustentada no ar por cordas puxadas por outros membros do bando) para que ele lhes forneça dicas sobre o que fazer quando estão perdidos, além dos platinum tickets, que são como ???vidas extras??? que os permitem retornar a um determinado ponto da fase ao invés de seu início quando encontram seu ???despacho final??? (que pode ou não ser a morte).

Coelhos ao Mar!!


Visualmente Zack & Wiki é possivelmente o jogo mais bonito do console (perdendo talvez para Metroid Prime 3, que é realmente impressionante). Os gráficos simulam desenhos animados de estilo meio cartoon e meio anime, executados em cel-shading de animação fluida e muito bem elaborada, com cenários detalhados, amplos e com muitos elementos interativos. Parece até um pouco infantil à primeira vista, como Zelda: the Wind Maker e Phantom Hourglass, mas como estes, tem uma temática voltada para um público mais novo.

As músicas são bem alegres e divertidas, combinando com o tom de humor jocoso dos desafios e da própria história, cheia de absurdos. Os efeitos sonoros são estilizados e claramente tirados dos desenhos animados. Cada personagem tem uma espécie de voz que se resume a um ou dois grunhidos irritantes que representam suas falas, como ocorre em outros títulos do console (MySims por exemplo). Falas completas teriam sido uma adição agradável ao título.

A movimentação básica e a interação com o cenário são realizadas apontando o Wiimote para onde se deseja que Zack vá, pressionando o botão ???A??? em seguida. Caso a estrela que representa o ponteiro mude de cor, isso indica que aquela parte do cenário contém alguma interação e Zack fará algo ou iniciará um minigame que usa o sensor de movimentos para ser solucionado. Entre puxar alavancas, girar chaves em fechaduras e pescar enormes peixes, as interações são muito divertidas e inserem o jogador na aventura de maneira bem pouco sutil, podendo gerar muitas risadas. Até outros três jogadores podem ficar apontando seus Wiimotes para a tela, mas apenas para marcar locais (quer seja para ajudar ou atrapalhar), mas sem influenciar a movimentação e a solução dos minigames. O botão ???B??? serve para iniciar o modo de movimentação da câmera, e para afastá-la, permitindo uma visão completa da fase. O restante dos botões serve para acessar menus. O jogo não faz uso do Nunchuck.

Usando e abusando de muita lógica absurda -- marca registrada do gênero adventure -- o jogador deve guiar a dupla ao longo de muitas fases, que vão desde uma floresta tropical, passando por um vulcão e até mesmo por uma enorme construção mal-assombrada, colhendo tesouros, moedas e conquistando HirameQ???s para ajudar Zack a se tornar o maior de todos os piratas.


O Veredicto
: Com várias novidades apresentadas pelo esquema de controle do Wii, a busca pelo tesouro de Barbaros inova e revitaliza o gênero adventure, permitindo maior imersão do jogador na experiência, além de puzzles inéditos que abusam do sensor de movimentos. A história e o humor foram feitos para agradar a todo tipo de público, do infantil ao adulto, mas a retratação dos personagens poderia ter sido melhor trabalhada para criar um vínculo afetivo mais forte com os jogadores. Vale a pena conferir, nem que seja apenas para ver de quantas maneiras diferentes é possível sacudir o Wiimote.


Prós:

- Gráficos excelentes;
- Puzzles desafiantes e muito inteligentes (ótimo exercício de lógica);
- Usos bem diversos e originais para o Wiimote.


Contras:

- Pouco investimento no desenvolvimento dos personagens principais, deixando-os ???apagados???;
- As irritantes ???vozes??? compostas de poucas palavras incompreensíveis.


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Outer Space
8/ 10
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