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Review de Manhunt 2 para PS2 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


A Rockstar Games, produtora de GTA, vem se especializando cada vez mais em gerar polêmica, tornando cada lançamento um alvo para conservadores e um prato cheio para a censura. Manhunt 2 é seu mais recente escândalo, tendo ganhado fama por suas ???cenas de execução??? muito antes de seu lançamento. Mas com cara de antiga geração, talvez tenha sido lançado tarde demais para provocar alguma reação que não o choque pela violência.

Busca pela sanidade


Desde a tela inicial, Manhunt 2 já passa um clima que mistura suspense, insanidade e nervosismo, exibindo as paredes do sanatório no qual Danny Lamb encontra-se internado, e também local onde ocorre uma descontrolada fuga de quase todos os pacientes após um estranho incidente elétrico em uma noite chuvosa. Ajudado por seu colega Leo, Danny percebe uma oportunidade para escapar daquele local horrível, observando muitas atrocidades em seu caminho, como enfermeiros matando pacientes e vice-versa, até que é forçado a matar um funcionário usando uma seringa.

Sem memória e sem conseguir pensar com clareza, Danny depende bastante da ajuda de Leo, que parece mais consciente sobre o que está acontecendo. Após fugir do manicômio, o protagonista vai até sua casa onde existe um remédio que pode iniciar o processo de restauração de suas memórias. Explorando diversos ambientes para encontrar pistas sobre seu passado, o Dr. Lamb vai percebendo aos poucos que está envolvido até o pescoço em algo chamado de ???The Project???, e precisa escapar de seus agentes para descobrir todo o mistério. A história se desenrola em um ritmo lento e tenso, no qual cada pequeno segredo passa a fazer mais sentido quando se tem uma idéia melhor do todo, e tem algumas reviravoltas impressionantes antes de seu desfecho, que deve demorar aproximadamente quinze a dezesseis horas para ser alcançado.

A primeira coisa que chama a atenção para o jogo é seu clima pesado: as cores são foscas e a tela se parece com uma gravação em uma fita VHS muito usada, com linhas de interferência e constantes defeitos na imagem, criando uma excelente sinergia com a loucura de Danny. Há muitas áreas escuras e de ambiente denso, locais para esconder-se e surpreender os inimigos espalhados pelas fases. Os cenários variam entre o manicômio, a casa abandonada do protagonista, um prostíbulo e uma rua iluminada por luzes de helicóptero que devem ser evitadas -- sempre locais dos quais pessoas de bem não se aproximam, e mesmo as que não são pensam em evitar.

A jogabilidade é baseada principalmente na furtividade, como em Syphon Filter e Vampire Rain, e é importante pegar os inimigos desprevenidos, uma vez que Danny é fortemente desprovido de força ou capacidades marciais. Existem muitas áreas escuras onde o bom doutor pode se esconder, não sendo detectado nem mesmo quando algum caçador esteja a um palmo dele, o que pode parecer bem estranho. Para acabar com seus adversários, ele conta principalmente com as famosas execuções, movimentos realizados com o uso de algumas ???armas???, que incluem seringas, canetas, pés de cabra, sacos de lixo, gasolina, cacos de vidro, facas e dezenas de outros instrumentos. Cada uma delas tem três níveis de execução, ativados de acordo com o tempo pelo qual se segura o botão quadrado ??? quanto mais tempo, mais sangrenta e violenta é a animação, e não há maiores diferenças entre estes níveis além do estilo com o qual Lamb assassina o alvo, já que todas elas levam à sua morte. Quando a cena atinge pontos de extrema violência ou bizarrice, é aplicado um filtro estranho que fica piscando e ???borra??? a imagem quando ativo, dificultando a visualização do ocorrido (mas ainda dá para ver muito bem o que Danny faz com as pessoas de quem não gosta, só os detalhes se perdem). Este filtro é a censura que permitiu o título mudar sua recomendação de ???Adults Only??? para ???Mature???, e com isso, ser lançado para PS2 e Nintendo Wii, já que as fabricantes não permitem jogos AO em seus consoles.

Pela baixa qualidade da inteligência artificial, acaba sendo muito fácil dar cabo de todos os inimigos e assistir a todas as execuções, caso o jogador tenha a paciência para isso. Os caçadores não percebem a presença de Danny a um ou dois passos deles e, mesmo quando percebem, correm de maneira tão estranhamente aleatória que fica bem fácil encontrar uma área escura onde se esconder (e, estranhamente, os caras perdem a pista, mesmo que a área escura esteja beirando a parede de um beco sem saída). Eles andam em caminhos previsíveis e repetitivos, facilitando muito a emboscada, e fazer barulhos como socar a parede ou chutar algum móvel atrai sua atenção, permitindo ao jogador armar armadilhas contra eles quando vierem investigar. O único problema é quando se atrai a atenção de mais de um adversário, pois Danny não é bom de briga e pode ser derrotado facilmente em uma contenda justa.

Devido à inteligência artificial falha e à jogabilidade superficial, ficou claro que a empresa se preocupou demais com as cenas de execução e com o clima dos cenários, deixando de dar a devida atenção à parte ???videogame???. O resultado é um jogo cheio de violência, mas com pouco conteúdo e sem inovações. O personagem passa muito tempo escondido nas sombras e um pequeno erro pode atrair dois ou três inimigos, contra os quais ele não tem chance a não ser que consiga correr até algum esconderijo, o que é difícil quando os golpes levados dificultam sua movimentação. Terminar Manhunt 2 vai exigir muita paciência para esperar o momento certo da execução, e tentativa e erro para encontrar a ordem correta de matar os caçadores de cada fase sem atrair a atenção dos demais.

A caçada humana


Por ser originalmente programado para o PS2 (mas lançado também para PSP e Wii), Manhunt 2 possui gráficos já ultrapassados, abaixo até mesmo dos encontrados nos últimos lançamentos do velho console da Sony. Os personagens são ???quadrados??? demais e seus movimentos não são muito bem animados, mas duros e com pouca expressão, exceto pelas cenas de execução, onde a qualidade melhora notavelmente. Os cenários são feitos com texturas pouco detalhadas, além de terem muitos ambientes abertos e vazios, de pouca interação. Devido ao esquema de vídeo ser similar a um VHS de baixa qualidade, no entanto, isso acaba criando um efeito sinistro ao jogo que adiciona à sua ambiência e permite a construção de um clima mais nervoso.

A trilha sonora é composta por trilhas baixas e de poucos acordes, e intercalada com muitos momentos silenciosos que deixam o jogador mais nervoso do que se houvesse uma música tocando o tempo todo. Os efeitos sonoros são bastante realista, e igualmente eficientes na hora de provocar tensão.

O jogo possui dois níveis de dificuldade, sendo que o último deles aumenta vertiginosamente a quantidade de inimigos enfrentados e seu armamento (mas não melhora suas capacidades), e conta com dois finais diferentes, o único incentivo para jogá-lo novamente depois de finalizado.



O Veredicto
: Manhunt 2 não trouxe grandes novidades como seu antecessor, apenas violência chocante e uma fórmula de jogo que não arrisca jamais, ou seja, muito dentro dos padrões já conhecidos para jogos do gênero ???stealth???. Apesar dos efeitos originais da câmera, toda a parte gráfica está ultrapassada, e teria causado má impressão mesmo se tivesse aparecido antes do consoles da nova geração. Mediano, interessante mesmo só pelas execuções -- que o deixaram tão famoso --, e pela história, que é envolvente, profunda e cheia de revelações.


Prós:

- História bem executada;
- Variedade e criatividade das execuções;
- Os efeitos da câmera são criativos e passam bem o clima necessário.


Contras:

- IA muito ruim;
- Gráficos ruins, ultrapassados mesmo para o padrão do PS2.


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