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Review de Hellgate: London para PC de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Um portal para o inferno se abriu em Londres, e a Terra foi completamente invadida e dominada pelas hordas de demônios que saíram de lá. O que restou foi um planeta devastado, com poucos sobreviventes. Mas dentre esses, alguns formaram uma resistência aos invasores, liderados pela ordem de cavaleiros Templários, que estabeleceu bases no metrô da capital britânica.

Esse é o cenário de Hellgate: London, o primeiro jogo do Flagship Studios, notório por contar com membros da equipe de Diablo. Pelo pedigree, o jogo tinha tudo para ser um grande sucesso, mas mesmo aproveitando muitos elementos da série lançada pela Blizzard, não foi dessa vez que Diablo II ganhou um sucessor à altura.

The Shores of Hell


A premissa de Hellgate: London pode não ser a mais criativa ou inspirada, mas de algo parecido com isso vieram alguns dos maiores sucessos de indústria de games: através de um portal em Londres, demônios invadiram a Terra e conquistaram o planeta. Mas ainda existe uma resistência aos invasores, montada nos subterrâneos da capital britânica, graças ao fato de que, ao construir o sistema de metrô de Londres, os maçons tomaram medidas para que servissem como bases seguras no caso de uma futura invasão vinda do inferno.

Apesar de existirem um bocado de pontos interessantes e curiosos nessa história, a verdade é que ela não foi devidamente explorada pelos roteiristas do jogo. Um grande defeito em Hellgate: London é que tudo referente ao enredo do jogo ??? dos diálogos as missões (quests) ??? é superficial. Não existem personagens nem momentos marcantes na história de Hellgate: London, e acaba que o que deveria (e tinha potencial para) ser um ponto fortíssimo do jogo acaba sendo seu pior defeito: uma história sem profundidade alguma, incapaz de cativar os jogadores.

Essa falha pode desmotivar muitos, mas, em contrapartida, um outro quesito cumpre bem a missão de prender a atenção e fazer com que valha a pena passar um pouco de tempo com o jogo: a jogabilidade. A primeira coisa a ser feita é a criação do personagem. Além de muitas opções de customização de aparência, como altura, cor de pele e penteado, o jogador deve escolher uma entre as seis classes de jogo para seu personagem. Nesse ponto a Flagship realmente brilhou: as classes de personagem são bem diferentes entre si, e o único motivo que faria alguém se arriscar a jogar Hellgate: London mais de uma vez é a possibilidade de sentir essas mudanças.

As classes disponíveis são: Guardian, Blademaster, Summoner, Evoker, Marksman e Engineer. O Guardian e o Blademaster são personagens que lutam em combates corpo-a-corpo, sendo que o primeiro de forma mais defensiva e o segundo mais ofensiva. Não existe muito mistério nesses personagens, que são os mais simples e fáceis de se jogar. Já o Summoner e o Evoker utilizam a magia para lutar. O Summoner -- uma das classes mais divertidas -- é algo como o Necromante de Diablo II, e invoca elementais e monstros aliados. Já o Evoker utiliza suas magias de forma mais direta, como bolas de fogo e raios contra os inimigos. Por último, Marksman e Engineer são duas classes que utilizam armas de fogo reconstruídas com componentes mágicos. O Marksman é uma espécie de Sniper, enquanto o Engineer pode construir artefatos tecnológicos como drones para ajudá-lo.

O fato é que, apesar de boas classes, a jogabilidade no geral só é interessante por que é bem parecida com Diablo II, fazendo com que Hellgate: London não tenha tanto mérito por isso. ?? fácil copiar um bom jogo para criar um outro não tão bom assim, e mesmo que a equipe da Flagship seja a mesma que criou Diablo, os sete anos que se passaram desde o lançamento de Diablo II são mais que o suficiente para um avanço real na fórmula de sucesso. O básico continua o mesmo: o jogador entra em ???dungeons??? -- que em Hellgate são as ruas e túneis dominados por demônios em Londres --, mata monstros, pega o tesouro desses, volta até a cidade (as estações de metrô), e lá vende o que foi saqueado dos inimigos para comprar itens. No meio do caminho, avança níveis em um sistema de experiência e completa missões. O que faz dessa jogabilidade viciante é que sempre o jogador terá vontade de enfrentar mais monstros para passar níveis e obter novos itens, ou então para testar esses itens e os poderes obtidos com os novos níveis. Mas a grande falha dessa fórmula é que tudo acaba sendo bem repetitivo e cansativo com o tempo.

Um jeito de se jogar Hellgate: London que alivia um pouco esses defeitos é o modo online: funciona como um intermediário entre a Battle.net de Diablo II e um MMORPG. Nele, o jogador pode realizar toda a campanha do jogo em um servidor na internet, junto a outras pessoas. Funciona de forma parecida com jogos como Guild Wars e Dungeon Runners: é possível encontrar outros jogadores apenas nas áreas de ???cidade???. Ao adentrar zonas de ação, só estarão presentes aqueles que fizerem parte do grupo do jogador. Dessa forma, é possível jogar todo o jogo online sem ter que necessariamente se relacionar com os outros jogadores, talvez apenas vendendo e trocando itens com eles. ?? um estilo de jogo interessante, mas não exatamente inovador

Mapa do Inferno


Um outro problema de Hellgate, que deixa o jogo ainda mais repetitivo, aparece na concepção dos mapas. Assim como Diablo, e muitos outros ???sucessores???, as fases de Hellgate: London são geradas aleatoriamente, fazendo com que os mapas sejam sempre diferentes. O problema está justamente aí: apesar dos cenários serem de fato aleatórios, são todos bem parecidos entre si, e a variação de ambientes é quase nula durante todo o jogo. Tudo acontece nas ruas, subterrâneos e alguns prédios de Londres, ou então no inferno, mas os cenários conseguem ser repetitivos e monótonos, dando uma constante sensação de dejá-vù. O conceito de mapas aleatórios funciona bem nas ruínas e cavernas de Diablo, mas talvez para as ruas de Londres, a criação de mapas estáticos, porém mais detalhados, ajudaria um pouco a imersão no jogo.

E é uma pena que os ambientes de Hellgate: London não sejam tão caprichados quanto poderiam ser, pois a exceção disso, a parte visual do jogo está muito boa, incluindo aí o bom design de personagens.


O Veredicto
: Hellgate: London é repetitivo não apenas por repetir a fórmula de sucesso de Diablo II, mas por trazer um enredo mal-elaborado e diálogos fracos e nada ???naturais??? -- coisas que pesam contra o que deveria ser uma premissa básica para o gênero: a imersão no universo do jogo. Além disso, as missões (quests) que devem ser feitas pelo jogador tendem a ser bem tediosas. Apesar de tudo, a essência da jogabilidade ainda é bem viciante, e junto ao componente online, faz com que Hellgate: London ainda tenha o potencial para prender a atenção por algumas horas.


Prós:

- Opções de classes variadas e interessantes;
- Visuais bonitos;
- Modo Online.


Contras:

- Missões tediosas, repetitivas e fracas no geral;
- Diálogos fracos, pouca profundidade na história;
- Ainda que randômicos, os mapas dão impressão de repetição.


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Outer Space
6/ 10
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