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Review de Silent Hill: Origins para PSP de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Criado na época em que jogos de ???sobrevivência??? como Resident Evil e Dino Crisis estavam em seu auge, Silent Hill prosperou ao elaborar uma mitologia interessante e profunda, cheia de simbolismos, personagens com perfis psicológicos densos e histórias com tantas camadas de profundidade que existem debates até hoje sobre seus significados.

Silent Hill: Origins, como o próprio nome indica, leva a história da amedrontadora cidade ao seu passado, antes da aventura de Harry Mason em busca de sua filha, e promete explicar alguns de seus mistérios, ao mesmo tempo em que cria mais deles.

Terror de bolso


A história de Origins se inicia quando o caminhoneiro Travis, ao conver com um companheiro por rádio, resolve cortar caminho pela cidade de Silent Hill ??? uma idéia que nunca dá certo ??? e, ao fazer uma curva, quase atropela uma pequena garotinha que estava na estrada, fazendo-a fugir apavorada. Como um bom samaritano, Travis vai atrás dela para ver se está tudo bem, mas se depara com uma casa em chamas. Entrando no lugar, ele encontra uma menina toda queimada e acaba salvando-a da morte certa, contando com uma misteriosa ajuda de poderes do além. Os fãs da série já devem fazer uma boa idéia de quem é esta personagem salva pelo motorista da morte certa, já que ela tem papel fundamental no futuro.

Logo o caminhoneiro acordará para ser avisado que a menina não existe e, então, fará sua primeira visita à metade mais bizarra da cidade, aquela cheia de sangue e malícia, onde andam monstruosas enfermeiras sem rosto. Com isso, se inicia uma busca pela verdade sobre os estranhos acontecimentos na cidade, com direito a visitas a diversos lugares familiares da série, além de velhos (ou seriam novos?) aliados, que podem ser reconhecidos imediatamente em alguns casos, ou podem esconder suas identidades por bastante tempo em outros.

O jogo é todo visto em terceira pessoa como na tradição das versões para PS2, e seus controles com o PSP são um pouco mais amigáveis que nos outros da série, tornando a experiência mais agradável. Além de coletar diversos itens com os quais resolve enigmas e puzzles, Travis precisa de armas para enfrentar uma gama de monstros que aparece de repente, sem aviso, criando momentos de susto e tensão. Felizmente, ele é um lutador um pouco mais capacitado que seus outros colegas da série, e está apto a derrubar as criaturas até no muque, se necessário.

Todos os ambientes são difíceis de visualizar, seja isso fruto da névoa ou da escuridão, sendo necessária muita atenção à telinha do portátil para não ser pego de surpresa. E isso parece ser intencional já que quanto maior a atenção ao jogo, maiores serão os sustos quando algo ocorrer subitamente. O clima é incomparável -- uma marca registrada da série -- e deixa o jogador sempre nervoso enquanto explora as diversas localidades da cidade. Os diálogos truncados e os diversos mistérios espalhados pela cidade dão um sabor ainda mais especial à receita, prendendo bastante a atenção do começo ao fim.

A dificuldade varia bastante entre os ambientes, e enquanto alguns chefes são muito fáceis de derrubar, há momentos nas ruas da cidade em que surgem tantas criaturas que é melhor fugir do que arriscar receber algum golpe. Apesar de ser um caminhoneiro de bom porte, Travis é bem frágil, caindo após três ou quatro ataques, e como há bem poucos itens que restauram sua saúde, é importante mantê-lo o mais longe de problemas possível. Além disso, ele tem também uma medida de vigor, que o faz ficar mais lento na medida em que corre ou luta sem descansar, dificultando evitar golpes de inimigos ou uma boa saída pela direita.

Apesar de revelar muitos segredos deixados pelos outros títulos, Origins não deixa de ser uma boa introdução aos novatos, e mesmo que eles sintam que estão perdendo alguma coisa ou que algo não ficou bastante claro, basta jogar qualquer outro SH para perceber que a sensação de confusão na verdade é parte do clima da série. As incertezas aumentam o terror, já que o maior inimigo é o medo do desconhecido, e a Konami sabe muito bem jogar com isso.

A superficialidade das motivações de Travis deixa a desejar, pois estão, a princípio, ligadas demais à mera curiosidade de saber o que estava acontecendo, diferente dos outros personagens principais da série, que tinham motivos muito fortes para permanecerem na cidade amaldiçoada. Mais tarde, a ligação entre o caminhoneiro e Silent Hill é mais bem explicada, mas, mesmo assim, ele passa como o herói de menor apego da série.

Para impressionar os amigos


Visualmente, Silent Hill: Origins é possivelmente o mais belo jogo do PSP, deixando para trás até mesmo títulos lindos como os da série Monster Hunter, e impressionando pela qualidade tanto dos modelos 3D realistas dos personagens e dos monstros (que são extremamente detalhados e perturbadores) quanto pela quantidade de ambientes diferentes aos quais eles são expostos. Os chefes são enormes e muito bem bolados, tanto em termos de estratégias para derrotá-los quanto em suas imagens. A cidade é razoavelmente grande e aberta à exploração, e o ???outro mundo??? abusa de texturas cheias de sangue, paredes que parecem feitas de carne, podridão, sujeira e um jogo de luz e sombra que parece levar o hardware do portátil ao seu limite. O mais espantoso é fato do PSP rodar Silent Hill com total fluidez, sem lags ou slowdowns, o que demonstra que ainda há muita capacidade para se explorar no portátil agora que ele tem seus 333 Mhz de processador liberados.

A parte sonora é mais uma vez excelente, contando com muitas músicas que estão em sintonia não apenas com o ambiente, mas também com a ação, subindo e descendo seus tons de acordo com a situação. O barulho de rádio fora do ar na presença de criaturas sobrenaturais continua existindo, trazendo tensão e muitos sustos, assim como os monstros que fazem sons guturais e assustadores. Esta é provavelmente a melhor parcela do jogo, e sozinha é capaz de controlar o tom da cena e as emoções do jogador.

Os controles são bem básicos: o direcional analógico controla os movimentos de Travis, enquanto os botões servem para que ele realize ações. O sistema de trava de mira continua tão ruim quanto nos outros jogos, e pode mais atrapalhar do que ajudar, uma vez que, travando a visão em um inimigo, surgem pontos cegos de onde é impossível se desviar de ataques realizados por outro adversário próximo. As várias armas coletadas pelo personagem principal possuem durabilidade, medida em quantas vezes podem acertar alguém ou alguma coisa antes de quebrarem, e as setas servem para trocá-las durante o combate. Artigos como televisores, bastões de beisebol, espadas, equipamentos médicos e tantos outros servem para enfrentar as monstruosidades, fazendo inveja até mesmo a Manhunt. O único problema aqui é que a jogabilidade é mais ou menos a mesma desde o primeiro SH, apresentando algum refinamento e a adição de comandos interativos mais elaborados (pressionar o botão certo na hora certa) em certas partes, mas mesmo com essa pequena brisa de ar fresco, o sistema já demonstra velhice.

Origins tem uma duração aproximada de 5 a 7 horas (bem mais curto que a de seus antecessores, é provável fruto do formato mais ágil de jogos para portáteis), e entre os incentivos para terminá-lo mais de uma vez encontram-se três finais diferentes e vários artigos do vestuário, armas e acessórios que são destravados quando certas condições são cumpridas, e que alteram a experiência de maneiras diferentes. Interessante notar que, em uma tela inicial, pede-se que o jogador jogue usando fones de ouvido e em um local bem escuro, para potencializar o medo. E realmente funciona, já que os jogos de luz e sombra constantemente se perdem em locais bem iluminados.


O Veredicto
: A adaptação ao formato menor do PSP não tirou muito do terror de Silent Hill, e a volta no tempo de Origins é um prato cheio para o público ávido por mais informações sobre a mitologia da cidade. O jogo é tecnicamente soberbo -- fruto do desenvolvimento em cima do processador de 333 Mhz liberado pela recente atualização de sistema do PSP --, e mesmo que seja curto e não tão profundo quanto os anteriores, sua história é rica e perturbadora como sempre. Enfim, é um jogo com as mesmas virtudes dos outros na série, e também com os clichês e alguns dos conceitos ultrapassados que já se esperava.


Prós:

- Gráficos maravilhosos;
- Atmosfera densa e envolvente;
- Trilha e efeitos sonoros geniais.


Contras:

- Jogabilidade com poucas novidades, repetindo erros dos anteriores (como o sistema de combate desequilibrado);
- Personagens superficiais demais para a série.


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Outer Space
7/ 10
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