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Review de TimeShift para PC de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Depois de ser adiado um punhado de vezes, finalmente chega a hora de Timeshift ver a luz do dia. Não é exatamente o lançamento do ano, mas pode-se dizer que em meio a tantos jogos do gênero tiro em primeira pessoa, esse se destaca pela possibilidade que o jogador tem de congelar, rebobinar e retardar o tempo ??? um elemento que possibilita uma jogabilidade diferenciada.

Bullet Timeshift


Em um futuro próximo, os cientistas conseguiram desvendar uma forma viável de viajar no tempo. Foram desenvolvidos então dois protótipos de maquina do tempo, na forma de roupas especiais: a Alpha Suit e a Beta Suit, sendo que a diferença principal entre elas é que a segunda conta com o suporte de uma inteligência artificial, que entre outras funcionalidades, evita que a viagem temporal gere paradoxos. Mas acontece que o diretor do projeto, o Doutor Aiden Krone, rouba a Alpha Suit e vai para o passado, onde manipula a realidade afim de se tornar um ditador em uma sociedade a la 1984. E é aí que entra o nosso herói, que pega a Beta Suit e tenta perseguir Krone pelo tempo.

Esse personagem principal é outro cientista, chamado Tom Swift (o nome não aparece no jogo, apenas no manual). O pouco que sabemos sobre nosso amigo Tom é que ele é um pesquisador de grande renome com um passado misterioso, ou seja: o clássico protagonista calado sem passado ou personalidade, tão comum em jogos do gênero FPS. E por ser um cientista bem proficiente com metralhadoras, granadas e afins, podemos dizer que ele é algo como Gordon Freeman, de Half-Life, mas com um gosto para roupas parecido com o do pessoal de Crysys.

Parece uma história legal, com personagens bem aceitáveis, mas mesmo contando com elementos bacanas como viagem no tempo, sociedades em distopia e cientistas-Rambo, o enredo acabou sendo algo bem banal, pouco desenvolvido e sem graça. A idéia de viagens no tempo e paradoxos não foi muito bem explorada, tampouco a ambientação do jogo, que poderia ter potencial para muito mais. E o pior de tudo é que a história se desenvolve muito pouco, e o jogador termina o jogo sabendo quase nada além daquilo que é apresentado logo no começo.

O desenvolvimento lento na história também acaba sendo sintoma de um outro defeito, que são os objetivos mal-definidos das fases. Como não existe avanço grande no enredo durante o jogo em si, na maior parte das vezes os objetivos e missões que devem ser cumpridos por Tom não incentivam muito o jogador: eles quase sempre consistem em apertar um botão qualquer, chegar até determinado lugar do mapa, e por aí vai. Com isso, acaba que o objetivo em Timeshift seja sempre o mais cru possível, de ir do ponto A ao ponto B massacrando qualquer infeliz que esteja no caminho, com direito a alguns puzzles ocasionais.

E é justamente na questão dos puzzles que o jogo poderia ter se sobressaído aos demais. A Beta Suit usada por Tom permite que ele realize pequenas alterações no tempo que incluem a habilidade de congelar e ???rebobinar??? o tempo (mecânica parecida com a de Prince of Persia: Sands of Time), sendo que essas duas tem função principal em alguns quebra-cabeças. As possibilidades são infinitas, só que definitivamente foram mal-aproveitadas. Na maior parte das vezes a única coisa que o jogador faz é congelar o tempo para poder passar por portas que abrem e fecham rapidamente, ou rebobinar alguns instantes para fazer uso de algo que foi destruído. Com isso, os puzzles que começam interessantes acabam repetitivos e fáceis.

A outra função de alteração temporal da Beta Suit é algo mais voltado para o combate: é possível desacelerar o tempo, algo que funciona de forma bem parecida com o popular Bullet Time. Não é a invenção da roda, mas é das poucas coisas que fazem com que os combates sejam um pouco diferentes do usual no gênero. A verdade é que, apesar de todas as falhas e repetições, os combates, as armas e a inteligência artificial fazem com que o jogo seja até divertido.

Lapso temporal


Um dos motivos para o adiamento de Timeshift, segundo a Vivendi, foi que os gráficos do jogo não estavam à altura de concorrentes como Unreal Tournament 3. Olhando por esse lado, até que valeu a pena o atraso: os visuais ficaram exatamente aquilo que se espera de um lançamento para PC nos dias de hoje. Na primeira fase, por exemplo, existe um efeito de chuva bem bonito e que fica ainda melhor quando o jogador congela ou rebobina o tempo. E sem falar da possibilidade de ver as explosões ao contrário, principalmente aquelas que espalham objetos por toda parte.

E esse é um outro ponto de destaque na parte técnica do jogo: a física. Quase todo tipo de objeto solto interage de forma dinâmica com o cenário e com o jogador, voando em explosões ou despedaçando com rajadas de metralhadora. E além disso, alguns tipos de superfícies, como paredes de tijolos ou colunas, também são deformáveis, o que faz uma diferença real na jogabilidade, além de ser visualmente legal.

Timeshift conta também com um multiplayer, que funciona de forma similar ao modo de um jogador, só que ao invés de um jogador poder controlar o tempo de forma geral, existem as chamadas ???chrono granades???, que são granadas que alteram o tempo apenas na sua área de alcance. Existem 14 mapas, em variações como Deathmatch (mata-mata), Capture The Flag (rouba-bandeira) e alguns modos únicos. Não é nada exatamente genial, mas que vale a pena uma olhada.


O Veredicto
: Pode apenas parecer um variação do clássico Bullet Time, mas as mecânicas de controle do tempo em Timeshift são definitivamente interessantes. Só que, infelizmente, não foram mostradas muitas aplicações à altura da criatividade desse novo elemento de jogabilidade, e o jogo se limita ao uso banal do retardamento do tempo em combates e em alguns puzzles repetitivos. Colocando na equação a história linear mal-contada e mal-elaborada no geral, mas uma física ótima, o resultado de Timeshift é um tiroteio sólido, mas ainda bem abaixo de seu potencial.


Prós:

- Mecânicas de controle do tempo são excelentes;
- Combates divertidos;
- Física excelente.


Contras:

- Boa idéia para a jogabilidade foi mal-aproveitada;
- História fraca;
- Bem repetitivo em tudo.


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