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Review de Mass Effect para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Como todo jogo da produtora BioWare, o desenvolvimento de Mass Effect foi acompanhado de grandes expectativas. E nesse caso a ansiedade foi ainda maior, já que o título anterior do estúdio, Jade Empire, tinha dividido opiniões, e Mass teria a seu favor o fato de poder causar melhor impressão graças ao visual de ponta (foi feito pelo melhor motor gráfico atual, o Unreal Engine 3) e alguma responsabilidade a mais com a base de fãs da BioWare no Xbox, já que este deve ser o último exclusivo da produtora para a plataforma da Microsoft.

O resultado final é um jogo que cumpre com várias das expectativas, principalmente no que diz respeito ao cuidado com a produção e o enredo, mas que, infelizmente, ainda tem algumas arestas a serem aparadas, como é o caso do novo sistema de combate.


Kotor 3



Mass Effect carrega uma boa dose do gênero space-opera (como os famosos Guerra e Jornada nas Estrelas), mostrando um universo habitado pelas mais diversas raças alienígenas que atualmente se reúnem sob um conselho único localizado no planeta-cidade denominado Cidadela. Este planeta foi habitado há muitos séculos pelos Proteans que, acredita-se, foi a raça mais poderosa a cruzar a galáxia, mas que desapareceu deixando como provas de sua existência apenas alguns artefatos tecnológicos muito avançados e portais interligados que permitem viagens com velocidades superiores à da luz, a partir do princípio "Mass Effect" que dá nome ao jogo. Com a descoberta de uma base desta raça em seu sistema solar, a humanidade aprendeu segredos muito além de suas teorias prévias, desenvolvendo-se como um povo de viajantes estelares que logo fez contato com as raças da Cidadela, buscando um assento no Conselho e uma voz ativa na política da galáxia, baseada em seu crescimento e capacidade. Neste contexto, o jogador adota o papel do Capitão Shepard, o único ser humano cotado para integrar a força de elite conhecida como Espectros, que agem fora de qualquer hierarquia ou lei para acabar com problemas de nível galático que não puderam ser solucionados dentro dos caminhos convencionais - e um ser humano como parte deste grupo certamente garantiria também um lugar para a humanidade no Conselho.

O Capitão (ou Capitã, opcionalmente) Shepard é criado pelo jogador, escolhendo inicialmente um avatar com algumas poucas (mas suficientes) opções de corpo, rosto, cabelo, roupas etc. Depois disso, é definida uma classe dentre seis disponíveis, cada qual com suas características especiais, como maior poder de combate ou a possibilidade de utilizar "biotics", uma espécie de poder psíquico muito parecido com a Força de Guerra nas Estrelas, que permite controle sobre os arredores do usuário, mas que dificilmente serve para atacar diretamente, favorecendo utilidades como afastar ou atrair inimigos, paralisá-los etc. Por fim, abre-se a opção pela história de Shepard, que pode ser um sobrevivente de um grande desastre ou um grande herói, mas que de qualquer jeito o torna um membro do exército das forças terrestres de muito destaque, e que terá grande importância no desenrolar do jogo e nas decisões que podem ou não ser tomadas. Além do próprio capitão, até seis outros personagens fazem parte da equipe, mas apenas dois podem ser levados em conjunto com Shepard para uma missão de cada vez -- algo bem parecido com os outros jogos recentes da BioWare.

A história se inicia com a nave Normandy atrás de um artefato deixado pelos Proteans, e logo fica claro que sua recuperação é uma missão de teste para que Shepard possa ser indicado a assumir uma posição nos Espectros. Quando chegam ao planeta, a tripulação da Normandy descobre que o lugar está sob o ataque de uma raça de robôs chamada Geth liderada por um Espectro traidor (no qual o Conselho confia cegamente), e os resultados disso afetam não apenas a cadeira da humanidade no Conselho, mas também a existência de todos os habitantes da Via Láctea.

O sistema de jogo é muito parecido com o de Knights of the Old Republic (também da BioWare), e adota uma visão em terceira pessoa com a exploração de grandes ambientes abertos, que podem ser ou não hostis. O protagonista é guiado entre mundos desérticos, gelados, habitados por alienígenas inteligentes ou não tão inteligentes, e por uma grande quantidade de cidades, vilas, colônias onde irá interagir com muitos tipos diferentes. ?? interessante notar que as reações da IA e as opções de falas dos personagens dependem, como nos outros RPGs desta produtora, da personalidade definida para Shepard (ele pode ser mais carismático ou mais intimidador), da raça alienígena com a qual se está interagindo (cada uma com seus hábitos e manias distintos), da história escolhida para o Capitão e também pelas escolhas anteriores do jogador, tanto de diálogos quanto de cursos de ação. O combate ocorre como em jogos em terceira pessoa (Gears of War e Tomb Raider, por exemplo), e enquanto o jogador controla o protagonista, a IA movimenta seus dois aliados, que também podem receber ordens como apenas se defenderem ou utilizarem poderes e armas específicos. Apesar de conterem muita ação, as lutas também precisam ser táticas, e o correto uso das habilidades disponíveis farão a diferença entre a vida ou a morte da equipe.

Existe uma "missão principal" que seria basicamente perseguir e capturar o Espectro traidor, mas como um bom jogo baseado em mundos abertos, ME carrega uma enorme quantidade de missões paralelas, boas para conseguir pontos de experiência e tornar os personagens mais poderosos (e com mais dinheiro e equipamentos) ou abrir novas opções de caminhos a seguir. As características dos personagens são definidas por habilidades como atirar com várias armas, primeiros-socorros, carisma, initimidação, uso de armaduras etc. Quanto mais níveis um personagem possuir em determinada habilidade, mais poderes especiais ele irá destravar, como ampliação de dano para armas, usos diferentes de biotics, cura, sabotagem de equipamentos inimigos, dentre tantas outras. Obviamente, esta complexidade significa que o jogador precisa balancear a equipe entre combate e utilidade para conseguir superar todos os desafios propostos.

Os personagens podem utilizar uma vasta gama de equipamentos, principalmente armas e armaduras, todos customizáveis e cheios de poderes secundários. As armas de fogo variam entre pistolas, rifles e escopetas, cada qual com suas próprias características, que podem receber upgrades como munição radioativa, química, incendiária, perfurante de armaduras, miras telescópicas, estabilizadores para diminuir o coice da arma etc. As armaduras não ficam para trás, podendo oferecer maior proteção contra armamentos, biotics, ou uma soma dos dois, além de aumentos em habilidades e características secundárias (como pontos de vida). Estes são adquiridos de inimigos derrotados, encontrados em contâiners espalhados pelos cenários ou comprados nas cidades, por meios legais ou ilegais, de acordo com o equipamento desejado.

Mass é uma mistura entre jogos de tiro, RPGs de ação com equipamentos recheados de bônus ao estilo Diablo e RPGs mais convencionais da BioWare, dos quais herda tanto as escolhas quanto habilidades dos personagens que afetam o rumo da história.


Espectros



A qualidade gráfica de Mass Effect é impressionante como se espera de um jogo equipado pelo Unreal Engine 3. Desde rostos incrivelmente detalhados, movimentos elaborados e realistas e modelos de personagens e objetos muito bem trabalhados, limpos e tridimensionais, toda a ambiência da ficção científica transborda em seus cenários, inspirados provavelmente por filmes antigos do gênero (os fãs podem reconhecer algumas influências e homenagens ao longo das fases). Os alienígenas também tiveram muita atenção em seu desenvolvimento, e não apenas seu físico é diferente, mas sua linguagem corporal, comportamento e diálogos refletem sua cultura, elaborada minuciosamente e explicada através de vários textos espalhados pelo jogo. Os equipamentos utilizados também possuem modelos próprios, assim como veículos, naves e construções. Tudo isso somado resulta em uma ambientação forte e concisa, demonstrando preocupação com seu planejamento e execução.

Tanto o Capitão Shepard quanto seus aliados têm um bom desenvolvimento durante a história, contando inclusive com oportunidades para romances, dando-lhes vida e fazendo com que o jogador crie laços mais fortes tanto com eles quanto com a história. Além disso, a dublagem é impecável - os sentimentos e estados de espírito dos personagens são claramente repassados tanto por expressões faciais quanto pelo tom de voz, aprofundando ainda mais a experiência.

Passando apenas pela história principal, pode-se esperar aproximadamente 25 horas de jogatina, que se elevam para mais de 40 com subquests, interesses românticos, preocupação em aumentar o nível dos personagens, conseguir certos tipos de armas e armaduras e tentar destravar outro dos vários finais que ME possui. A durabilidade é alta, e como a história prévia e a classe do protagonista afetam tanto o desenrolar quanto o final da trama, é interessante tentar as diversas combinações.


O Veredicto
: A qualidade do visual, som e enredo de Mass Effect estão no nível das maiores super-produções desta geração e o jogo ainda se sobressai no gênero RPG por trazer grande parte dos elementos que fizeram o sucesso dos outros títulos da BioWare. Porém, ele peca por pequenos defeitos técnicos que, quando somados, afetam de maneira negativa a experiência como um todo. Menus e comandos muito complexos e demorados, um sistema de combate que tentou misturar demais elementos de RPG e de ação que não funcionam em conjunto (como comandos demorados e rapidez de raciocínio ao mesmo tempo) e uma quantidade grande de habilidades de pouco ou difícil uso, que rapidamente são deixadas de lado estão entre estes muitos pequenos problemas. Mas no final das contas, passar pela trama de maneira a mudar o universo (de várias e diferentes maneiras) acaba compensando a paciência investida e o produto final é um dos melhores RPGs da atual geração.


Prós:

- Gráficos fantásticos, um dos melhores do Xbox 360;
- História densa com muitas tramas políticas e reviravoltas;
- Diálogos inteligentes e afetados pelo alinhamento do personagem, assim como algumas habilidades sociais.


Contras:

- Poderes "biotics" são pouco úteis e raramente utilizados;
- Menus complexos demais.


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Outer Space
8/ 10
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