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Review de Empire Earth III para PC de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


O primeiro Empire Earth, de 2001, podia até soar como uma imitação de Age of Empires com elementos de Civilization, mas apesar de tudo, era um bom jogo. Já a segunda edição apresentava avanços a passos de tartaruga, mas ainda valia apena. Agora, no terceiro jogo, existe uma notável pretensão de criar algo inovador e diferenciado, mas, definitivamente, a pretensão não foi acompanhada do devido esforço para se concretizar.

Império decadente


A primeira e maior mudança que pode ser percebida pelos veteranos de Empire Earth é a simplificação no jogo: as muitas eras e civilizações que existiam nas versões anteriores foram reduzidas a apenas três civilizações: o Ocidente, o Oriente Médio e o Extremo Oriente; e cinco eras: Antiga, Medieval, Colonial, Moderna e Futura. A quantidade de unidades e tecnologias de cada civilização também foi drasticamente reduzida, assim como as construções disponíveis. E seguindo essa mesma linha, a coleta de recursos, a economia e a diplomacia estão todos bem menos complexos do que eram nas edições anteriores.

Os gráficos do jogo também seguem essa nova linha, com personagens caricaturizados e cômicos. Em resumo: o jogo está bem diferente, e esse tipo de mudança brusca em uma série já conceituada sempre é acompanhada de comentários divergentes entre os fãs. A verdade é que, na teoria, seria até interessante que o complexo Empire Earth se tornasse um jogo simples e acessível, com um cômico e atraente, algo como o que aconteceu com Team Fortress 2. Só que a simplicidade em Empire Earth III é, na verdade, um eufemismo para um jogo muito mal-acabado.

As três facções presentes já são pouca coisa, e para piorar, elas trazem poucas diferenças significativas na jogabilidade além das unidades. As eras também são problemáticas: por cobrirem um período muito extenso na história, os saltos entre elas é bem grande na questão histórica, mas não faz tanta diferença assim na jogabilidade, logo, não é raro um grupo de cavaleiros medievais destruírem um pequeno destacamento de soldados genéticos futuristas, o que é, no mínimo, ridículo. Para piorar, é bem fácil e rápido avançar entre as eras, de forma que a maior parte dos combates acabam acontecendo quando os jogadores já estão na última era disponível, o que faz com que toda a idéia de eras perca um pouco do propósito.

Outro defeito nesse sentido está no fato de que as unidades não são muito bem equilibradas, e o sistema de combate não é muito claro, de forma que existam alguns tipos de soldados excelentes e outros péssimos, sendo que já não são muitas as opções presentes. Um ponto importante nesse aspecto está na questão do suporte aéreo no jogo: atacar com bombardeios e similares é algo extremamente eficiente, simples e barato, e tão logo essa tecnologia esteja disponível, fica bem fácil destruir bases e exércitos inimigos.

Mas apesar de tantos defeitos, existem algumas mínimas qualidades que evitam um fracasso completo. São apenas dois modos de jogo, que se limitam ao modo Skirmish e um outro chamado World Domination. O Skirmish é o clássico mata-mata, mas existe uma peculiaridade interessante no mesmo: os mapas para jogo são divididos em vários territórios, que devem ser dominados pelo jogador. Para tomar esses territórios, é preciso construir um centro urbano no mesmo. Só é possível construir edifícios em territórios que já estejam tomados, e existe um limite de construções para cada território, o que faz com a sede por expansão nesse jogo se torne maior que o usual. Para tomar um território inimigo é preciso destruir o centro urbano rival e construir um outro no lugar. Parece bobo, mas o sistema de territórios é realmente algo legal que adiciona um pouco de estratégia ao Skirmish padrão.

Já o modo World Domination é uma campanha individual, em que o objetivo é dominar mais da metade do mundo, que está dividido em províncias. O jogo aqui ocorre em turnos, ao estilo de qualquer título da série Total War. E quando o jogador ataca um rival, é preciso resolver o conflito com uma batalha do modo Skirmish. Não é algo criativo ou diferente, mas é uma das poucas idéias bem aplicadas em Empire Earth III

Idade da pedra


O que fica óbvio ao se jogar Empire Earth III é a absurda falta de capricho com que o mesmo foi feito. Além dos gráficos fracos para a época atual, que são bem pesados mesmo assim, existem vários outros problemas técnicos que comprometem o jogo. O mais aparente deles é a dublagem dos personagens. Ao tentar criar personagem únicos com um toque cômico, o que os produtores conseguiram foram algo patético, a clássica piada sem graça. As falas teoricamente engraçadas acabam sendo lamentáveis, irritantes e repetitivas. Sem dúvida alguma, era possível algo melhor nesse aspecto.

Mas até então, jogadores mais insistentes podem simplesmente desligar o som e ouvir qualquer outra coisa durante o jogo. Mas infelizmente os defeitos não param por aí. Em perfeita harmonia com as falas estúpidas, está a inteligência artificial das unidades. Ao contrário do que se vê em jogos de estratégia atuais, em Empire Earth III os soldados se encaixam de forma péssima no combate, principalmente aqueles mais velozes, como a cavalaria. E é bem difícil ajudá-los a fazer a coisa certa, o que acaba deixando as batalhas um bocado aleatórias e caóticas.

E além disso, as unidades sofrem com um problema que não é visto no gênero há vários anos: a dificuldade em encontrar caminhos. Geralmente, em qualquer RTS lançado depois de 1996, basta clicar em algum ponto do mapa para que as unidades encontrem o caminho até lá, mesmo que seja algo complexo. Em Empire Earth III não. ?? bem comum que ao ordenar que os soldados andem até algum lugar, alguns fiquem presos nos obstáculos do cenário, obrigando o jogador a ter atenção com a movimentação o tempo todo.



O Veredicto
: Empire Earth III é uma mancha na reputação da série. A responsabilidade disso não é o fato do jogo estar bem diferente do que já foi, mas sim a falta de capricho com que foi feito. São inúmeros os defeitos que existem nesse título, passando pelos gráficos e som até o balanceamento das unidades e a fraca inteligência artificial. E mesmo com alguns conceitos curiosos como o sistema de controle de territórios, as várias falhas fazem com que seja difícil extrair alguma diversão deste jogo.


Prós:

- Sistema de controle de territórios;
- Conceitos interessantes no modo World Domination.


Contras:

- Gráficos fracos e ainda assim pesados;
- Jogabilidade repetitiva e tediosa;
- Estilo cômico sem graça;
- Mal-acabado;
- I.A. fraca.


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