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Review de No More Heroes para Wii de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


No More Heroes é um dos títulos mais originais do Wii, primeiramente porque é o primeiro a esbanjar uma temática mais adulta ??? como linguajar inapropriado, piadas de mal gosto, mulheres seminuas e um protagonista viciado em vídeos eróticos, luta livre e desenhos japoneses. E, em segundo lugar, devido à fama de seu criador, Suda 51, responsável pelo exótico Killer 7 do Game Cube.

Proposta indecente


A história se inicia no trailer de Travis Touchdown, após este comprar uma ???katana de raios??? (beam katana) pela Internet em um site de leilões virtuais e ficar totalmente falido. Chorando sua pobreza em um bar, ele conhece uma estranha mulher chamada Silvia, que propõe a ele um pequeno serviço: matar o assassino Helter Skelter. Travis aceita o trabalho e, após uma curta batalha, consegue eliminar seu alvo. Neste momento, Silvia revela ser membro da UAA ??? United Assassins Association (Associação dos Assassinos Unidos), que mantém um ranking dos melhores matadores de aluguel do mundo ??? no qual Travis está classificado como o 11º, lugar que pertencia a Helter.

A misteriosa mulher faz a Travis uma nova proposta: subir nos rankings da UAA, enfrentando os 10 maiores assassinos do mundo para se tornar o top 1. Como recompensa, ela daria a Travis uma chance de conhecê-la... intimamente. Mas como neste submundo nem tudo são flores, existe uma pegadinha: a taxa de entrada para cada uma das lutas é exorbitante, e para juntar o dinheiro necessário, o ???herói??? precisa arranjar todo tipo de bico, desde cortar grama a colher escorpiões no deserto próximo à usina nuclear.

Prepare-se para entrar nos jardins da loucura


NMH se divide em quatro etapas: andar pela cidade de Santa Destroy na enorme motocicleta Schpeltiger; fazer bicos como catar cocos (esbofeteando as árvores), limpar as ruas (sem o uso da moto ??? afinal, é uma missão pró-ambiente) e abastecer carros (sem que a gasolina pegue fogo e ateie fogo em Travis), dentre outras loucuras; missões de assassinato, cujos parâmetros são bem variados, como matar uma quantidade de inimigos em determinado tempo, eliminar todos os inimigos da fase sem levar qualquer dano ou matar um alvo específico; e, por fim, as lutas contra os dez maiores assassinos do mundo, que são precedidas por uma fase temática, como o estúdio de filmagem onde Destroyman trabalhava ou a escola de Shinobu.

A cidade é aberta, no estilo GTA, mas não é tão viva e divertida, servindo principalmente como ligação entre as fases (cada uma ocorre em um local específico de Santa Destroy). O sistema de controle da moto é pouco preciso e as ruas são muito vazias, tanto de carros quanto de pedestres (é possível interagir com esses) e os prédios são pouco detalhados, parecem feitos às pressas ou sem capricho. A impressão que fica é de que o jogo utilizaria sistemas de fases e, de última hora, inventaram uma cidade para o jogador explorar, com recompensas bem pouco compensadoras, como dinheiro enterrado no chão e bolinhas escondidas que podem ser trocadas com um velho bêbado por novas técnicas de luta (coisas bizarras como esta são lugar comum em NMH). O Wiimote tem pouca utilidade: basicamente é balançado para se conseguir um pulo ou uma curva mais fechada.

Após passear pelas ruas, é possível fazer várias coisas em pontos específicos marcados no mapa quadriculado. Três delas dão prosseguimento ao jogo: conseguir um bico, uma missão de assassinato e ingressar em uma luta contra um assassino. Os bicos são minigames que fazem uso divertido, mas nada de muito original, das propriedades do Wiimote, como utilizá-lo como uma pá de lixo para simular a colocação dejetos em um cesto nas costas do jogador (e de Travis) ou controlar a direção de um cortador de grama. Eles rendem pouco dinheiro, mas são precedidos de diálogos muito insanos e divertidos, que discorrem sobre o perigoso deus da gasolina, que ateia fogo nas pessoas de pouca fé, ou sobre as leis impronunciáveis de Santa Destroy, que incluem limpeza nas ruas e um ambiente livre de escorpiões. Após finalizados, abrem novas missões de assassinato que rendem uma grana muito boa. Tanto os bicos quanto estas missões concedem ao jogador um ranking (cobre, prata ou ouro) de acordo com seu desempenho, e conseguir uma medalha de ouro em todos é bem complicado.

Com todo o dinheiro que ganha, Travis pode comprar novas roupas, óculos, beam katanas e acessórios para as mesmas, alugar fitas de luta livre para aprender novos golpes, treinar na academia de Thunder Ryu (seu mestre) e pagar a taxa de entrada para as lutas da UAA ??? as verdadeiras jóias do título.

Como todo bom chefe de fase, cada um dos adversários é precedido por enormes hordas de capangas e servidores, despachados com exageradas chuvas de sangue através de golpes de beam katanas e de luta livre, que o herói aprendeu há muitos anos quando era um lutador semi-profissional. Cada espada que ele utiliza possui um estilo próprio de luta, e põe estilo nisso! Travis pula, rola, roda a katana nas costas, arranca cabeças, baços e divide muitas pessoas ao meio, sem dó nem piedade. ?? exagerado para ser cômico e estiloso, como todos os outros jogos de Suda 51.

Cada fase tem um design bem diferenciado da anterior, trazendo novos detalhes ou esquemas de jogabilidade. Elas variam, por exemplo, entre uma mansão cheia de capangas para matar; uma viagem pelo metrô, com direito a um minigame e muitos inimigos espalhados pelos vagões até um estúdio onde ocorrerá a luta contra o chefe; um enorme corredor onde Travis persegue o assassino rival, dentre outras. Além das próprias fases, cada luta contra o assassino da vez é um deleite, devido aos poderes, habilidades, cenários e personalidade de cada um.

Somando tudo isso ao ritmo frenético e insano com o qual as coisas acontecem, além de muitas surpresas e reviravoltas, No More Heroes é excitante do começo ao fim.

Se o desafio tivesse um sabor, você seria delicioso


Os gráficos são bastante estilizados, lembrando desenhos como Aeon Flux ??? mais adultos, com linhas pesadas e uma mistura entre o mais realista e o manga, e se assemelham bastante aos de Killer 7. As cores utilizadas são ao mesmo tempo escuras e fortes, e as fases e personagens são cheios de pequenos detalhes. Infelizmente, devido ao poder de processamento do Wii, os traços ficaram um pouco serrilhadas e, como já mencionado, este capricho não foi o mesmo quando do desenvolvimento das ruas e prédios de Santa Destroy, criando um estranho contraste. Os indicadores de informações do jogo, como locais a entrar, setas de direção, mapas, barra de energia e similares são feitos de maneira a empregar uma espécie de homenagem estilosa às velhas gerações dos videogames, usando gráficos cheios de quadradinhos coloridos (como Atari e similares), e ao mesmo tempo, como uma espécie de metalinguagem (os próprios personagens falam como se soubessem estar em um jogo). Em alguns momentos, especialmente quando há sangue espirrando aos baldes na tela, o jogo trava ou diminui bastante a velocidade, parecendo forçar o console ??? o que provavelmente poderia ter sido resolvido com alguma programação mais competente, uma vez que jogos mais bonitos como Metroid Prime 3 e Zelda não têm este problema.

Os controles respondem bem e são muito simples. Com o botão A, Travis golpeia com a beam katana, criando combos de vários golpes que são finalizado com a tela escurecendo e surgindo acima do inimigo uma seta quadriculada apontando para alguma direção, para onde é necessário golpear com o Wiimote como se ele fosse uma espada ??? isso aciona um fim sangrento para o adversário, e pode atingir outros capangas próximos de acordo com a direção e katana utilizados. O botão B serve para agarrá-los, e movimentando o Wiimote para um lado e o Nunchuck para outro (as setas aparecem na tela, como no final do combo), Travis executa algum golpe de luta livre bem exagerado, com nomes que misturam aquele inglês japonês com espanhol escrachado. O botão Z serve para travar o alvo e também para bloquear ??? e como todo bom usuário de uma espada laser, o protagonista é capaz de repelir desde golpes com outras armas até balas e rajadas de energia. Tanto os ataques quanto as defesas drenam bateria da arma, e quando esta se esgota, a lâmina de energia se desliga, precisando ser recarregada sacudindo o Wiimote.

A trilha sonora é marcante, composta de músicas dos mais variados estilos de rock e metal, clima que o jogo tenta seguir em seus vários aspectos (e a versão japonesa vem agraciada inclusive com um clip da música tema). Os diálogos estão bem atuados e repassam a emoção das cenas. As vozes selecionadas foram perfeitas para cada personagem. Os efeitos sonoros variam entre os que quebram leis de direitos autorais (como os barulhos do sabre de luz, ou melhor, da beam katana), os mais realistas e alguns que são claramente eletrônicos, barulhos tirados de videogames de 8 ou 16 bits, representando algo entre uma homenagem (muitos são inspirados por jogos famosos) e uma piada.

Tantos elementos viraram uma colcha de retalhos que, contra todas as expectativas, funciona suave como uma pluma, de tão absurda e bizarra. Os personagens são todos muito carismáticos e é impossível não se afeiçoar pelo insano protagonista, que passa por muitas provações e revelações em seu caminho até o topo ??? poucas das quais têm um mínimo de seriedade. Existem modos para apenas um jogador e uma passagem pelo jogo nos níveis de dificuldade mediana pode demorar aproximadamente 10 a 12 horas, aumentando para mais de 20 horas para os que gostam de destravar todos os segredos e conseguir as melhores pontuações em todas as fases.



O Veredicto
: Heroes é o tipo de título que define seu próprio gênero, com muito estilo, personalidade e coragem de seu criador, Suda51. Somando uma história meio sem pé nem cabeça, personalidades estranhas e inesquecíveis, design inteligente e extremamente criativo, muitos palavrões, temática adulta e excelentes controles e jogabilidade, este é um jogo sem concorrentes no Wii.


Prós:

Arte de alta qualidade, com muito estilo;
Excelente jogabilidade;
As melhores batalhas contra chefes já feitas;
Diálogos divertidos, apresentando situações inusitadas;
Trilha sonora de impacto.


Contras:

Os gráficos ficaram um pouco serrilhados;
Alguns slowdowns atrapalham em certos combates;
A cidade aberta é mal planejada e supérflua.


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