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Review de Final Fantasy Crystal Chronicles: Ring of Fates para DS de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Crystal Chronicles foi originalmente um spin-off da série Final Fantasy lançado para o GameCube como um RPG de ação similar às séries Mana ou Zelda, que oferecia suporte e incentivo a partidas com mais de um jogador e um irritante sistema que obrigava os personagens a ficarem carregando enormes vasos. Felizmente, a versão para Nintendo DS não trouxe de volta a mecânica original, nem o inconveniente de exigir Gameboys conectados ao console, mas continuou com a tradição do multiplayer e ainda apresenta seu modo para um jogador de maneira bem mais interessante que seu antecessor, como uma experiência completa que não depende de terceiros para ser aproveitada.

A história de Ring of Fates acompanha os jovens irmãos gêmeos Yuri e Chelinka, que são capazes de manipular cristais mágicos quando estão juntos e que estão ligados de alguma maneira a um mal que surge em suas terras, representado inicialmente pelo surgimento de centenas de monstros portando cristais avermelhados que atacam as vilas e amedrontam as pessoas. Durante a jornada para descobrirem o que está realmente acontecendo e uma maneira de impedir o avanço das criaturas, eles se unem a três outros amigos, cada um com habilidades e poderes diferentes, necessários para enfrentarem monstros e resolverem os enigmas espalhados pelo caminho.

Final Mana


Ring of Fates é um típico RPG de ação, contando com visão isométrica e personagens pequenos e cabeçudos, com um estilo bem similar à versão de Final Fantasy III do portátil. Sua história é contada através de belas cenas de animação em 3D, que contam com algumas excelentes atuações de voz, e através dos diálogos dos heróis principais com centenas de outros personagens espalhados pelas cidades, castelos e vilas, que além de bem construídos, conseguiram ser sucintos (a leitura de muito texto em um portátil pode ser frustrante, uma vez que são consoles de partidas mais rápidas), mas ao mesmo tempo transparecendo o clima de seu mundo fantástico.

No entanto, a parte mais interessante do jogo reside em suas dungeons: enormes labirintos para explorar, cheios de monstros que deixam pontos de experiência (para deixar os personagens mais poderosos) e diversos tesouros, dinheiro ou pergaminhos quando derrotados, além de muitos puzzles que muitas vezes dependem das habilidades especiais de determinado personagem para serem solucionados (ou até mesmo do trabalho conjunto entre eles). Ao final de cada um destes locais encontra-se um enorme e poderoso chefe, sempre com diferentes pontos fracos e esquemas mirabolantes para derrotá-los, misturando aí combate e quebra-cabeças. Durante essas explorações, o jogador controla um personagem por vez (em um grupo que consiste de até 4 companheiros) e pode alternar este controle através de um simples toque na tela inferior, onde ficam disponíveis ícones com os rostos deles. A tela inferior é utilizada também para selecionar itens e magicites, cristais utilizados para lançar magias.

O combate é bem simples, consistindo primariamente de ataques corpo a corpo ou à distância (de acordo com o personagem controlado no momento) acionados pelo botão A. Magias podem ser invocadas e itens utilizados pressionando-se o botão X, o que faz com que surja no chão uma marca que pode ser movimentada pelo direcional, e aponta onde o efeito ocorrerá. Mais de uma magia pode ser invocada sobre o mesmo ponto, criando novos efeitos com a mistura de até seis esferas que representam encantamentos diferentes. No modo para um jogador é bem difícil combinar magias, uma vez que os monstros ficam se movimentando ??? sendo fácil perder a mira. No modo multiplayer, porém, combinar magias fica bem mais fácil, com cada jogador mirando uma vez em conjunto com seus aliados. Este sistema é divertido e inovador, mas quando é necessário utilizar magias mais poderosas, pode ficar bem chato, pois acaba sendo mais eficiente atrair o monstro até um ponto marcado do que conseguir travar duas ou três miras nele. Os personagens principais ainda possuem ???habilidades tribais???, poderes especiais acionados pelo botão R em conjunto com a tela de toque, que ocasionam os mais diversos efeitos, mas são primariamente ataques.

Infelizmente, a IA do jogo parece ter sido tirada de Heroes of Mana e depois piorada um pouco. Enquanto o jogador controla um dos heróis, o restante fica a cargo da IA, que basicamente ordena que eles sigam o protagonista de maneira a caírem em precipícios e receberem bastante dano, e nunca atacar inimigos em intervalos inferiores a 10 segundos. Chega a ser frustrante enfrentar os enormes chefes que esperam ao final das masmorras com quase ou nenhuma ajuda dos companheiros, incompetentes demais para simplesmente atacarem ou lançarem magias e poderes especiais por conta própria.

RoF possui muitas similaridades com os jogos da série Mana, também da Square Enix, principalmente as seqüências de ação e o estilo dos puzzles apresentados, mas sem o charme dos jogos passados (atualmente, nem a própria série tem conseguido...), além de cair na mesmice em muitos momentos. O uso da magia e habilidades tribais trouxe alguma mudança, e quebra o ritmo alucinante de ficar apenas pressionando botões para desencadear seqüências de golpes, mas nada realmente inovador.

Esbanjando carisma


Apesar de sua história não possuir momentos realmente memoráveis (além de ser curta para um RPG, durando aproximadamente 10 horas de jogo), ela é contada através de diálogos emocionantes e do ponto de vista de um dos grupos de personagens mais interessante que a Square conseguiu reunir nos últimos tempos em um spin-off de FF, além de um dos mais estranhos, contando com humanos, robôs e fadas. Os protagonistas prendem a atenção por suas perdas e conquistas ao longo de sua aventura, trazendo mais interesse no que vai acontecer com eles do que no desenrolar da trama em si.

As cidades e cenários são bastante detalhados, com muitas cores e uma mistura de aspectos mais realistas com alguns mais cartunescos, contrastando bastante com as pessoas, representadas de forma bem caricata (e baseada nos modelos do remake de FF3 lançado há algum tempo para o DS). Um fato interessante é que a indumentária dos protagonistas se altera quando são equipados novos itens, criando peças de roupas como armaduras, uniformes ninja, tiaras, braceletes e diferentes tipos de armas, e o conjunto determina as habilidades mais fortes do personagem (por exemplo, alguém vestido com roupas e chapéu de mago, e portando um cajado, terá magias mais fortes). Estes equipamentos podem tanto ser comprados quanto criados em lojas e pelos poderes de um dos heróis, com o uso de pergaminhos e materiais recolhidos de baús e monstros vencidos (como pedaços de ferro, osso, pêlos, pedras, etc), num estilo similar a FF XII Revenant Wings.

A trilha sonora chama a atenção, contendo muitas músicas épicas e efeitos sonoros consagrados de jogos passados, além das excelentes vozes apresentadas em alguns dos vídeos que narram os eventos entre as aventuras.

As aventuras em grupo comportam até quatro jogadores com seus próprios cartuchos via conexão local e, apesar de apresentarem novos desafios e novos itens, não têm conteúdo suficiente para mais muitas horas de surpresas. O ícone de conexão Wi-Fi estampado na embalagem refere-se basicamente à troca de moogles (aqueles bichinhos branquinhos e fofinhos da série) personalizados entre os donos de cartuchos e mensagens que eles carregam, e não a um aguardado modo multiplayer online, mas, como o lag apresentado em partidas locais já é assustador, derrubando bastante a velocidade do jogo, imagina-se que fosse efetivamente impossível fazê-lo funcionar via Wi-Fi. Crystal Chronicles conta ainda com diversos minigames, principalmente o jogo de corrida já apresentado na versão do GameCube, similar a Mario Kart, porém com veículos e cenários do mundo de Final Fantasy.



O Veredicto
: Com uma história que já parece ter sido contada centenas de vezes e um sistema truncado pela péssima IA, este Crystal Chronicles ficou um pouco abaixo do que se espera de um título da Square. Salvo praticamente pela simpatia de seus personagens (e a customização dos mesmos), a qualidade técnica (principalmente gráfica, sonora e de controles que respondem com precisão e agilidade), a inovação do sistema de magias e pelo multiplayer divertido, RoF é, no final das contas, um RPG de ação que não fará falta na coleção dos entusiastas de Final Fantasy.


Prós:

- Belos gráficos, tirados e melhorados a partir do remake de FF3;
- Excelente design de fases;
- Batalhas com chefes bem interessantes.


Contras:

- Péssima programação da IA, resultando em muita frustração;
- Curto demais para um RPG;
- Baixa dificuldade, tanto nos combates, quanto nos puzzles.


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