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Review de Grand Theft Auto IV para PS3 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


A série GTA sempre manteve um padrão de alta-qualidade, mas se destacou em duas ocasiões: no original, que era criativo mas feito com baixo orçamento, e em GTA III, que definiu o padrão de mundo aberto que se vê até hoje. Mesmo se apoiando em uma nova tecnologia de hardware, GTA IV está longe de ser inovador como esses dois, mas consegue compensar essa deficiência elevando a fórmula de sucesso da série ao seu ápice. GTA IV custou um recorde de cerca de 100 milhões de dólares para ser produzido e exigiu o envolvimento de mais de mil pessoas em três anos e meio de produção. Um esforço sem precedentes, mas que valeu a pena.

Life is Complicated


O personagem principal de GTA IV é Niko Bellic, um veterano de alguma guerra no leste Europeu que chega em Liberty City com um pouco mais que as roupas do corpo e um passado misterioso. Mas enquanto na maioria dos jogos ???um passado misterioso??? é sinônimo para personagens ocos sem passado nenhum, Niko realmente tem uma história, que vai sendo desvendada aos poucos e se mostra cada vez mais interessante e sombria. Além disso, ele é realmente um sujeito com personalidade, algo raro de ver em videogame.

Fazer um personagem principal envolvente já é algo louvável, mas os desenvolvedores de GTA IV foram além: a grande maioria dos personagens coadjuvantes encontrados no jogo são quase tão bem feitos quanto o próprio Niko, com destaques para o jamaicano Little Jacob e o primo covarde e ???loser??? Roman, que é quem vai buscar o protagonista no porto quando esse chega na cidade. Ainda existem alguns personagens extremamente caricaturais, como nos outros jogos da série, mas esses também conseguem ser muito bons.

O enredo é proporcional à qualidade dos personagens, e começa com Niko aportando em Liberty City para ser recebido pelo seu primo Roman, que lhe prometera uma vida digna do sonho americano em suas cartinhas, mas que, na realidade, é bem o contrário. No começo do jogo, o papel de Niko envolve pouco mais do que proteger seu primo de pessoas que tentam agredi-lo para tomar o dinheiro de volta. Mas não demora para que nisso ele acabe se envolvendo com criminosos de verdade, de forma lenta, gradual, realista e bem convincente.

Não vale a pena entrar em mais detalhes sobre o enredo. ?? melhor deixar o que os jogadores descubram por eles mesmos. Mas é importante ressaltar: enquanto nos últimos GTAs a história era sempre bem inescrupulosa e politicamente incorreta, aqui ela é bem mais madura e tão boa quanto grande parte dos bons filmes de gangster.

Assim como em todos os GTAs, a história aqui é construída a partir de missões realizadas por Niko. Algumas delas são parecidas com missões de outros jogos da série, outras são remakes claros (como aquela em que é preciso dirigir um caminhão carregado de explosivos pela cidade), e naturalmente, existem algumas únicas como o assalto ao banco. O grande acontecimento aqui é que a inevitável repetição muitas vezes é eclipsada pela qualidade do enredo.

Além de trabalhar para o crime organizado, existem muitas outras atividades paralelas que podem ser realizadas, como encontrar amigos feitos no jogo, sair com namoradas e, naturalmente, explorar o mapa. O sistema de amizades e paqueras é um incremento ótimo para o jogo e uma evolução notável em relação ao que existia em GTA San Andreas. Ele faz com que Niko não seja um ???Full Time gangster???, dividindo seu tempo com passeios em boliches, bares e boates de stripper. Para que essa pare do jogo não seja muito tediosa, existem minigames e ótimos diálogos que compensam, mas a verdade é que com o tempo é um pouco chato amigos virtuais ligando para o celular de Niko o tempo todo, querendo um pouco de atenção. ?? muito The Sims para um jogo como GTA.

Felizmente, o foco principal ainda é o mesmo de sempre: roubar carros, metralhar gangsters, assassinar alvos e fugir da polícia. E a jogabilidade expandiu em todos esses sentidos: apesar de continuar sendo bem fácil roubar carros, a direção dos mesmos ficou saudavelmente mais complicada do que antes, e cada carro do jogo parece funcionar de um jeito um pouco diferente, com as leis da física impondo desafios mais realistas, como a necessidade de frear antes das curvas e acelerar para sair delas.

Mas é na questão do combate que existem mais novidades relevantes: agora a mira automática mostra também a saúde dos inimigos, e é possível realizar pequenos ajustes com o botão pressionado até a metade para poder acertar tiros na cabeça ou mesmo na arma dos inimigos (o que deixa eles com uma ótima cara de espanto). Além disso, o jogo agora conta com um sistema de cobertura a la Gears of War, o que deixa os combates bem mais realistas e envolventes, não tanto pelo lado do jogador, mas principalmente para os inimigos, que estão mais espertos e sabem se proteger melhor -- raramente eles correm de braços abertos para a morte certa.

Pehaps Here, Things Will be Diferent


Para quem acabou de jogar de qualquer outro título da série GTA, o salto gráfico aqui é impressionante. Mas para quem vem de jogos como Crysis, os visuais podem não impressionar tanto a princípio. E de fato, analisando superficialmente, esse não é o jogo mais bonito dessa geração quando se analisa unicamente a definição das texturas ou a modelagem de cenários. Estas minúcias técnicas nunca foram prioridade para GTA, mas o jogo impressiona e é um dos jogos mais bem feitos desta geração graças à ambientação e a atenção aos mínimos detalhes que fazem de Liberty City uma das mais convincentes representações de uma cidade em um jogo. Basta andar pelas ruas largas de Algonquin, cercadas de prédios altos e ocupadas por pedestres e veículos para perceber que a qualidade gráfica aqui tem mais a ver com a quantidade de detalhes. A imprevisibilidade da inteligência artificial das pessoas nas ruas, o trânsito, a noção de que você pode experimentar algo improvável e ver uma reação diferente e até mesmo detalhes como as conversas de celular que podem ser ouvidas compõem um conjunto surpreendente e envolvente.

Esses pedestres e carros que lotam as ruas também fazem a graça de Liberty City. Além de serem muito bem modelados, a inteligência artificial do jogo faz com que eles tenham rotinas e ações muito convincentes: se o jogador se dispuser a seguir um transeunte qualquer, irá perceber que ele as vezes atende o telefone celular, pára de andar para ler jornais e faz outras ações básicas que garantem que a multidão tenha um pouco de personalidade. Cada tipo de ???personagem??? da multidão se comporta de uma forma e existem realmente muitos tipos, até mesmo um aparentemente brasileiro que ofende o jogador em português, com as mesmas palavras de baixo calão que usamos no nosso cotidiano.

O repertório de falas dos transeuntes comuns já é algo relativamente impressionante, mas o que é mais impressionante ainda nesse ponto é a quantidade de conversas entre os personagens principais. O volume de diálogo gravado é algo sem precedentes, e o jogo se dá ao luxo de ter momentos em que apresenta mais de uma opção para as conversas. Com isso, caso o jogador tenha de repetir uma missão em que no caminho Niko conversa com seu primo Roman no carro, da segunda vez eles terão uma diálogo bem diferente, apesar de manter o mesmo sentido geral. E assim como tudo em GTA IV, as dublagens para os personagens são impecáveis, dignas de um bom filme de animação no cinema e reproduzidas com perfeito sincronismo gestual.

Outro ponto de destaque na qualidade sonora de GTA IV são as rádios. As mais de 200 músicas são divididas em 18 estações, e os DJs incluem personalidade ilustres como Iggy Pop e o estilista Karl Lagerfeld. Diferente dos hits de outrora, a seleção desta vez é mais obscura, tanto que existe apenas uma rádio de rock ao lado de outras dedicadas a coisas como Afro-beat, pop russo, jazz tradicional e jazz fusion.

Além da rádio, a Liberty City de GTA IV conta também com programas de TV, uma internet in-game, programas de comédia em auditórios e muitos outros. ?? simplesmente espantoso o quanto foi investido pela Rockstar em elementos secundários como esses, mas todo o esforço valeu a pena: a ambientação ficou tão envolvente e completa que muitas vezes o jogador irá se distrair com danças particulares nas casas de strippers, shows em cabarés ou assistindo TV ???em casa???.

... you're just small-time


Existem inúmeros jogos em que um modo multiplayer existe apenas para ilustrar a caixa ou para a crítica especializada não citar sua ausência como um defeito. No caso de GTA IV, o singleplayer é tão divertido que já dispensaria o modo online, mas como tudo nesse jogo, a Rockstar se deu ao trabalho de fazer bem feito.

São 15 modos de jogo presentes, com capacidade para até 16 jogadores em um mesmo servidor. Não vale a pena citar cada um dos modos, mas é importante esclarecer que todos são bem divertidos. Em grande parte deles, os jogadores contarão com Liberty City em sua totalidade, incluindo pedestres, polícia, lojas de armas e outros. Existem alguns modos em que os jogadores irão se divertir com uma competição entre equipes, outros com missões colaborativas e também alguns apenas com corridas, que conseguem ser melhores que vários jogos só de corrida.

Mas o modo mais interessante, e o mais básico, é o chamado free mode, em que não existe objetivo: é apenas a cidade de Liberty City com a presença de outros jogadores. Com isso, é possível que os jogadores inventem suas próprias regras, ou simplesmente se juntem para causar um pouco de caos urbano.

E existe um ponto crucial sobre o modo online de GTA IV: com mais de seis milhões de unidades vendidas, não faltarão jogadores online.


O Veredicto
: GTA IV representa o ápice para a fórmula iniciada no Playstation 2. O jogo não traz nada tão revolucionário que o distancie do anterior, San Andreas, mas mesmo aparentando algum desgaste ou falta de originalidade nas propostas das missões, ainda é capaz de impressionar com a riqueza de detalhes e o esmero de sua produção. Se for para citar apenas um dos pontos de maior progresso, seria a história e caracterização dos personagens ??? algo que já era forte na série desde San Andreas, mas que agora definitivamente o destaca de outros jogos. Enfim, é um novo paradigma para esta geração e um jogo que mostra do que os novos consoles são capazes, desde que hajam produtoras dispostas a arriscar orçamentos compatíveis com blockbusters de Hollywood para explorá-los.


Prós:

- Quase 25 horas de diversão com a história, 100 horas completando o singleplayer;
- Modo multiplayer;
- Personagens bem feitos, história excelente;
- Jogabilidade simples o suficiente para casuais, mas ainda complexa para os hardcore;
- Riqueza de detalhes impressionante;
- Trilha sonora com a competência de sempre.


Contras:

- Superficialmente, é uma repetição da fórmula;
- Amigos virtuais ligando o tempo o todo as vezes chateia;


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