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Review de Mercenaries 2: World in Flames para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Inspirado pela idéia de um mundo aberto, pelo qual o jogador pode correr livremente, interagir com o cenário e executar determinadas missões para diferentes grupos (com os quais pode se aliar ou tornar seus inimigos), Mercenaries 2 trouxe algo da principal fonte do estilo, GTA, e acrescentou mísseis e bombardeios às pistolas e metralhadoras dos guetos. Apesar de parecer uma boa idéia, a implementação descompromissada, repetição extrema do título anterior e a quantidade absurda de bugs acaba por tornar a experiência de jogo pouco prazerosa.

Mais uma vingança no mundo eletrônico...


A nada original história de Mercenaries 2 se inicia quando o personagem principal (um mercenário, selecionado dentre três diferentes, mas com mínimias diferenças entre eles além da aparência) executa um serviço para o futuro ditador venezuelano que, além de não lhe pagar, ainda lhe mete chumbo no traseiro ??? literalmente ??? uma piada recorrente ao longo de todo o jogo, ao ponto de perder e recuperar a graça pelo menos umas cinco vezes. O protagonista, que também não é flor que se cheire, resolve ter sua vingança aniquilando todos os militares da Venezuela e derrubando seu novo governo, contando com a ajuda de diversas facções, como a Universal Petroleum (algo como a OPEP) que deseja o ouro negro existente no país; a Allied Nations (força de paz da ONU) que deseja dominá-lo em nome do capitalismo; os rebeldes venezuelanos, que compartilham o desejo de derrubar seu governador, dentre outros como os divertidos Rastafarian Pirates, vindos direto do Caribe, e até mesmo mafiosos chineses.

Nesta confusão, o jogador é apresentado às primeiras fases, que consistem basicamente em um tutorial para acostumá-lo à nova jogabilidade e na conquista de sua base de operações ??? tomada do exército local ??? onde poderá construir novos equipamentos, buscar veículos, receber missões e outras coisas similares. Logo de cara já é possível sentir toda a emoção do jogo, utilizando-se de diversas armas diferentes, dentre pistolas, bazucas e explosivos, além de já ser possível (e necessário) a utilização de alguns dos veículos presentes no jogo, como carros, lanchas, helicópteros e até mesmo enormes tanques com os quais aterrorizar as cidades. Desde cedo o jogo incentiva a destruição, com a importante e prodigiosa informação de que tudo pode ser destruído no cenário, mas sempre da mesma maneira. Teria sido interessante variarem a animação de destruição de cada prédio ou casa, ao invés de repetir o mesmo modelo infinitamente, o que torna a diversão da depredação de patrimônio alheio limitada às primeiras horas de jogo. Outro detalhe interessante é que, apesar de promover o caos, o jogo penaliza aqueles que saem da linha, com multas em dinheiro por matar civis ou a inimizade de facções que tenham membros alvejados por balas perdidas ou explosões inconseqüentes.

Atravessar a Venezuela fictícia de World in Flames pode parecer muito interessante à primeira vista, dado seu tamanho impressionante e a grande quantidade de locais e cidades diferentes, mas infelizmente, não há muito que se fazer nestes locais, que acabam se tornando um fardo para o jogador, que precisará atravessá-los para chegar ao destino da missão. Mesmo com o helicóptero obtido mais adiante, algumas jornadas de cinco a dez minutos são bastante entediantes (ainda mais depois de se passar pela mesma paisagem pela décima vez e já não conseguir apreciá-la mais), e o pior: caso o personagem seja morto pelos inimigos ??? um feito complicado, uma vez que a dificuldade do jogo é quase nula ??? ele deve retornar à base, aceitar novamente a missão e viajar novamente ao local indicado.

Os armamentos podem ser adquiridos em lojas (e entregues por helicóptero em quase qualquer lugar) ou encontrados em diversas caixas espalhadas pela Venezuela, onde é possível encontrar de tudo, inclusive vários itens inúteis que um dos companheiros adquiridos ao longo da jornada pode transformar em poderosos equipamentos, no melhor estilo MacGuyver. Infelizmente, as armas parecem fracas demais, e tanto os inimigos quanto o protagonista podem receber muitos tiros antes de caírem ??? mas todos caem diante de um ou dois socos bem dados, o que parece meio desonesto. As armas realmente pesadas, como lança-foguetes e bombardeios, são tão escassos que acabam sendo bem pouco utilizados, inibindo a diversão de destruir alguns prédios.

As missões apresentadas são muito parecidas entre si, consistindo basicamente em dominar uma base para alguma das facções, assassinar um alvo ou resgatar outro. A pouca variedade torna o jogo rapidamente entediante, e o jogador fica com a sensação de já ter passado por aquilo antes muitas vezes.

Piratas ou Chineses?


Os controles são simples, mas não são de fácil acesso. A troca de armas ocorre em tempo real, o que é bem incomodo no calor da batalha, assim como o comando do ataque aéreo. Ambos poderiam desencadear uma pausa para que o jogador tenha melhores condições de selecionar o armamento e momento adequado de utilizá-lo, evitando desperdícios. A mira da arma também não ajuda, lembrando a de GTA3 do PS2, pouco precisa e difícil de controlar. Em certos momentos, considerando a incompetência da IA (que muitas vezes mantém os soldados inimigos quietos enquanto o jogador se aproxima, ou não tem quaisquer táticas para vencê-lo) e a quantidade enorme de dano que o personagem principal pode receber antes de morrer, é mais interessante correr até o meio dos adversários e matá-los a socos do que atirar até matá-los. Esta mesma energia se reabastece rapidamente assim que o mercenário sai da linha de fogo inimiga, descansando por alguns segundos sem receber danos, similar a Gears of War.

Além da fraquíssima IA, que não oferece desafios, M2 apresenta diversos bugs, como prédios e veículos que desaparecem repentinamente, ou inimigos que disparam através de paredes, matando o protagonista sem possibilidade de contra-ataque ou fuga. Suprimentos e aliados são normalmente enviados por via aérea, saltando ou sendo jogados de pára-quedas, e em algumas ocasiões podem cair em locais de onde não é possível saírem ou serem alcançados (como atrás de muros ou cercas que precisam de uma enorme volta para serem ultrapassados ou grande quantidade de tiros para serem destruídos, ou do topo de prédios, de onde não conseguem descer sem morrer).

Os gráficos são pouco chamativos, parecidos demais com os do primeiro jogo da franquia e claramente pertencentes a uma geração passada. Os modelos são pouco detalhados e apresentam muitos serrilhados, principalmente os que possuem muitas partes móveis (como soldados). As explosões, muito badaladas antes do lançamento, são realmente muito bonitas e realistas, levantando bastante fumaça e poeira, além do fogo.

A trilha sonora é orquestrada, mas sem músicas memoráveis. Os efeitos sonoros são competentes, principalmente aqueles ligados ao combate (tiros, explosões, batidas, golpes, etc.). O que puxa esta média para baixo são as vozes dos personagens, pessimamente dubladas e com a repetição constante das mesmas frases, o que chega a ser bastante irritante quando existem muitos personagens na tela.

A experiência multiplayer é interessante: um jogador é o anfitrião, e o convidado entra em seu mundo para auxiliá-lo em suas missões (que não se alteram em nada, nem mesmo a quantidade de adversários no caminho), promovendo o avanço da história e a realização de suas missões. Infelizmente, parecem haver poucos jogadores, mesmo na época do lançamento, o que antecede um futuro de servidores vazios.



O Veredicto
: Mercenaries 2 se parece demais com o primeiro, trazendo poucas novidades e lembrando, tecnicamente também, um título do final da geração passada. Sua experiência seria mais consistente se a IA fosse mais bem trabalhada e a jogabilidade apresentasse menos bugs, que parecem decorrentes de um lançamento apressado (apesar de ter sofrido constantes atrasos, que somaram mais de um ano). Interessante mesmo somente para quem jogou e gostou muito do primeiro título, e gostaria de tentar algo novo. Alguns vão preferir tirar a poeira de seus PS2 e Xboxes.


Prós:

- Mundo aberto e divertido de ser explorado e destruído.


Contras:

- Presença de muitos pequenos defeitos que, somados, evidenciam a baixa qualidade da programação;
- Missões muito parecidas, com pouca variedade e criatividade;
- Desafios muito fáceis, com uma IA quase inexistente.


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