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Review de Infinite Undiscovery para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Infinite Undiscovery é um jogo com uma proposta épica como não se via há tempos, tanto por apresentar uma história ousada e de enorme escopo, quanto pela qualidade dos gráficos ??? feitos no Unreal Engine 3 ???, promessa de enormes cenas narrativas e pelo nome Square Enix por trás de sua apresentação ??? suficiente para chamar a atenção dos fãs de RPG. Ainda assim, como parece ser uma estranha tendência nas promessas mais recentes, ele apresenta alguns defeitos que o impediram de se tornar um clássico instantâneo, mas que felizmente não o atrapalharam de ser um bom jogo.

Descobertas nem tão infinitas


IU apresenta um novo mundo, muito influenciado por sua Lua, tanto que algumas pessoas que nascem em fases auspiciosas do astro são tatuadas enquanto crianças e, com isso, ganham o poder de utilizar a magia do deus que lá reside (os denominados Lunaglyph). Em um determinado momento, a Order of the Chains (Ordem das Correntes) consegue prender a Lua ao planeta através de enormes correntes e apenas um homem chamado Sigmund (o Libertador) tem poder para cortar as correntes e voltar o mundo ao seu estado normal. Ao contrário do que possa parecer, ele não é o protagonista da história ??? papel assumido por Capell, um músico que é fisicamente idêntico a Sigmund e que, por isso, é confundido com o mesmo e arremessado contra a sua vontade em um confronto épico que tem como prêmio toda a existência do universo. ?? muito azar...

O sistema é bastante similar ao de Final Fantasy XII, no sentido da exploração do mundo por personagens de tamanho grande e mais realistas (e não em formato pequeno e cabeçudo) e a presença dos monstros nas localidades, e não como encontros aleatórios que alteram a jogabilidade entre exploração e combate. Tanto os locais externos (que variam entre planícies, florestas e desertos), quanto as cidades e dungeons são enormes e muito bem construídos, apresentando detalhes como o vento nas folhas das árvores, sons ambientes e texturas lindas e coloridas, mas infelizmente, grandes demais para um jogo que apresenta forte necessidade de repetir os próprios passos constantemente, como para buscar uma nova quest e depois retornar ao local anterior para finalizá-la. ?? possível cobrir enormes distâncias e encontrar apenas um pequeno vilarejo, o que dá uma estranha sensação de vazio ao mundo de IU, e uma dúvida quanto à real necessidade de seu tamanho, que é um verdadeiro teste à paciência de qualquer um após três ou quatro horas de jogo, quando começam a surgir as missões mais longas e, principalmente, algumas que possuem um limite de tempo para serem finalizadas. A maioria ainda apresenta uma sonora tela de ???Game Over???quando seu tempo se esgota, e dependem não apenas de enormes caminhadas como também de vários combates demorados, representando alguns dos maiores desafios.

O combate acontece todo em tempo real, e além dos gráficos dos personagens participantes (tanto dos quase 20 heróis quanto os NPCs e monstros que eles enfrentam) serem muito bonitos, detalhados e limpos, existem variados e elaborados efeitos especiais de luz para cada um de seus poderes ??? que podem provocar slowdowns caso muitos deles sejam utilizados ao mesmo tempo. Infelizmente, o sistema em si é muito confuso, pois o jogador controla apenas o protagonista e seus companheiros são dirigidos pela IA que, apesar de funcionar razoavelmente bem, tem a péssima mania de não se curar e correr atrás de adversários que sequer estavam na luta, trazendo novos problemas. Como todos se movem o tempo todo, ele exige uma boa coordenação para se manter ao alcance do adversário, continuando por atacá-lo (também, muito similar a FFXII), o que é um desafio, uma vez que a câmera, além de ficar muito próxima e oferecer pouca visão dos arredores, é movimentada independente do protagonista ??? e uma visão mais distante poderia dar uma melhor idéia dos acontecimentos. Além disso, caso exista a necessidade de uso de itens para curar pontos de vida ou os diversos status que o jogo apresenta (como veneno, paralisia, etc), é necessário abrir um menu que não só não pausa o combate, mas faz com que Capell simplesmente fique ali parado, sendo atacado gratuitamente, enquanto o jogador procura desesperadamente aquela garrafa de poção apropriada ??? o que simplesmente faz com que seja melhor acostumar-se a participar de batalhas sem depender de quaisquer itens.

A presença de um sistema de combos, que vai aumentando uma barra na medida em que o adversário vai sofrendo ataques do grupo e permitindo que novas habilidades sejam utilizadas, é interessante, porém, muitos inimigos (fora os enormes chefes que têm tantos pontos de vida que fica tedioso derrotá-los) morrem bem antes de ser possível aplicar os golpes mais poderosos. Existe a possibilidade de enviar certas ordens aos aliados, comandando suas habilidades especiais (e em alguns momentos assumindo momentaneamente seu controle), mas nenhuma delas é realmente interessante, sendo a maioria necessária para solucionar os poucos puzzles existentes nas dungeons.

Além de atacar com suas armas, Capell possui uma flauta que quando tocada (e existem diversas melodias que vão sendo desenvolvidas no decorrer da história) desencadeia efeitos mágicos (principalmente no combate) ou ???descobertas infinitas??? (daí o nome do jogo), que podem ser itens extras, diferentes caminhos por uma dungeon ou cidade, novos NPCs, dentre outras surpresas. O modo de história em dificuldade normal pode demorar aproximadamente 20 horas para ser finalizado (um tempo bem curto para um RPG como IU), que podem ser expandidas em mais quase 10 para se buscar todos estes pequenos achados.

Estranha narrativa


Existem muitas horas de cenas em CG, todas muito bonitas, mas com diálogos um tanto estranhos e aparentemente falhos, devido ao fato de que o conteúdo completo do jogo só pode ser acessado durante uma partida no modo difícil ??? que por sua vez, só pode ser acessado completando-se o modo fácil (que apresenta ainda mais inconsistências) ou o médio pelo menos uma vez. Com isso, o jogador é forçado a terminar IU pelo menos duas vezes para assistir às cenas completas e realmente compreender a história, o que é um incômodo para quem não se divertir tanto com o confuso sistema de combate. As cenas dividem-se entre aquelas que possuem dublagem e as que são apresentadas através de legendas, aparentemente sem razão alguma, uma vez que são do mesmo nível técnico. Como as atuações são sofríveis, teria sido melhor que todas fossem legendadas.

Completo com um sistema de criação de itens (praticamente obrigatório atualmente), IU tem como melhor característica a apresentação de um interessante novo mundo, completo com modos, hábitos, construções e roupas diferenciados por localidade, além de um desenvolvimento de trama interessante (apesar de nada muito original) e personagens incrivelmente carismáticos, com os quais o jogador pode realmente se apegar, e cujas histórias e motivações são contadas paralelamente à trama universal na medida em que o jogo progride.



O Veredicto
: Infinite Undiscovery é um RPG interessante, principalmente se levarmos em consideração os gráficos de nova geração, excelente e detalhada animação (as expressões dos personagens são quase humanas), trilha sonora épica e merecedora de uma OST e recursos de luz e sombra bem utilizados que demonstram o poder do Xbox 360 e a capacidade dos estúdios ligados à Square Enix. Infelizmente, ele apresenta alguns poucos -- mas graves -- defeitos que podem frustrar os jogadores a ponto de sequer ser finalizado uma vez, quem dirá as duas necessárias.


Prós:

- Gráficos excelentes, com efeitos especiais de última geração;
- História e personagens cativantes.


Contras:

- Mundo enorme e pouco preenchido, poderia ser menor para causar menos frustrações;
- História um tanto truncada antes de ser assistida no modo Difícil;
- Slowdowns freqüentes durante as batalhas.


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