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Review de Dead Space para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Uma nave mineradora vagando no espaço, um pedido de S.O.S., uma tripulação que é lentamente dizimada por uma forma de vida alienígena. O enredo soa bastante familiar para quem se lembra do filme Alien: O Oitavo Passageiro, mas a história agora é contada por Dead Space, a estréia da EA no gênero do horror de sobrevivência.

Mesmo que não tenha recorrido aos zumbis e fantasmas, a EA não pôde se livrar da acusação de falta de originalidade desta vez. Dead Space se inspira no filme Alien para o enredo e não se faz de rogado ao pegar emprestados elementos de inúmeros jogos, de Resident Evil 4 a BioShock. O produto final, portanto, está longe de ser um sopro de originalidade no gênero dos jogos de horror, mas com tantas boas referências por trás não há como errar: Dead Space assusta e o faz muito bem.

No espaço ninguém pode ouvir você gritar

Percorrer os corredores da nave espacial USG Ishimura significa levar um susto a cada minuto e lembrar de onde já se viu aquilo. O estilo visual, por exemplo, é remanescente de Doom 3, tanto nos corredores claustrofóbicos quanto no uso da escuridão e da luz intermitente para gerar aquela aflição extra. Nada mal quando se considera que o jogo da id só se destacou por causa da ambientação, e é novamente o caso em Dead Space: o cenário aqui é o mais assustador já visto em um jogo, e em alguns momentos o simples fato de entrar em uma sala escura sem saber de onde vem os barulhos que ecoam pela nave já faz tremer de medo até o jogador mais insensível.

A sonoplastia é outro ponto forte em Dead Space. Tudo produz seu som aterrorizante diante do cenário hostil da nave, desde uma lata que cai no chão através do sistema de física do jogo ao som dos alto-falantes que ainda reproduzem uma voz feminina avisando da situação da nave. E é claro que cada possível encontro com o perigo é precedido de uma súbita alteração de volume na música ambiente.

Não há cenário mais aterrorizante que o inventado pelo filme Alien: O Oitavo Passageiro e aproveitado por Dead Space, e o mérito maior da EA está em tê-lo escolhido e replicado tão bem em seu survival-horror. O uso do som e dos efeitos visuais é muito inteligente, e o jogo tem momentos cinemáticos que caberiam bem a um novo filme da série Alien, inclusive quando recorre aos mesmos artifícios para assustar, como a velha cena de uma pessoa aparentemente morta que acorda justamente quando o espectador está na sua frente.

Isaac, the master of unlocking

Se no tema Dead Space juntou todos os clichês existentes nos filmes, na jogabilidade ele fez o mesmo com os jogos que foram sucesso recentemente. O controle, por exemplo, funciona como o de Resident Evil 4 ??? e existe inclusive a mira laser em cada arma --, enquanto a movimentação é como a de Gears of War, o que, no final das contas, é o modelo ideal para um survival-horror. Já a forma de contar a história foi baseada naquela de Bioshock, com o jogador lendo mensagens deixadas pelo cenário e acessando os arquivos de áudio de tripulação, que são escutados sem a necessidade de interromper a ação. E quem jogar vai notar outras grandes semelhanças com Bioshock que não cabem neste texto.

As referências portanto são as melhores, mas Dead Space peca por abusar dos clichês e esquecer de dar sua própria contribuição, algo que caberia muito bem no design das missões. Na maior parte do jogo, o personagem do jogador, o mecânico Isaac, faz as vezes de office-boy e precisa ir e voltar pelos corredores da nave à procura de algum item para seus dois colegas de tripulação que tentam fazer algum tipo de reparo. ?? difícil se envolver com o enredo quando ele é fragmentado em tantas missões insignificantes do tipo ???encontar o fusível que irá fazer uma máquina funcionar???.

Na parte do tiroteio, Dead Space introduz o ???desmembramento estratégico??? ??? um recurso que a EA parece ter querido adquirir o copyright, mas que é outra idéia pra lá de manjada. Assim como em Resident Evil 4, os tiros nas pernas podem fazer o inimigo cair, só que nos alienígenas de Dead Space, eles irão mais longe, decepando-lhes as pernas e fazendo com que o jogador só tenha o trabalho de dar o tiro de misericórdia ou uma pisada, como se esmagasse um inseto.

E falando em inimigos, a EA não recorreu aos insectóides, nem a gosmas, para criar os algozes do mecânico Isaac, mas foi quase. Os alienígenas aqui são seres que poderiam aparecer em Silent Hill: uma mistura de figuras humanóides com insetos, sempre em carne viva, pouco criativas.

Já os puzzles não envolvem arrastar estátuas como em outros survival-horrors, mas ainda se arrasta uma porção de objetos através de um poder especial de telecinésia que levanta pedaços de metal do tamanho de prédios. Essa habilidade, assim como o oxigênio do escafandro especial do herói, são finitos e precisam ser usados com cuidado. Da mesma forma, Isaac tem um poder, lançado pelas mãos, que retarda o movimento do alvo, seja ele um inimigo ou estruturas no cenário, como portas que abrem e fecham rapidamente. Outra peculiaridade da jogabilidade aparece em cenas onde o herói sai da nave e encontra gravidade zero: nestas, é possível fazer pequenos vôos anulando a espécie de imã existente nas botas do personagem.

What are buuuying?

Espalhados pelos corredores da USG Ishimura estão vários terminais para salvar o progresso, uma mesa onde é possível comprar upgrades para as armas e até uma loja de armas e itens. Entre as armas ??? que são sempre muito interessantes ??? destaca-se o lança-chamas, que proporciona os mais divertidos momentos de jogabilidade de Dead Space.

Mesmo sendo quase sempre mais ???sério??? que a maioria dos survival-horrors, Dead Space se permite a ???licença jogabilística??? de soltar dinheiro e itens junto dos corpos dos inimigos derrotados. Este dinheiro pode ser trocado por novas armas nas lojas, enquanto itens bem raros valem upgrades para o arsenal e armadura, que serão muito úteis na parte de sobreviência da jornada de horror.


O Veredicto: Dead Space é o jogo baseado em Alien: O Oitavo Passageiro que nunca existiu. A ambientação, e os sustos decorrentes dela, são seu ponto de maior excelência e também qualidades que superam praticamente todos os jogos do gênero quando se pensa em medo. Porém, o jogo ainda fica distante de Resident Evil 4 ??? que tanto o inspirou ??? na jogabilidade, por ser pouco original e impregnada de missões bobas. Um bom começo para a EA no gênero de horror, mas cheio de espaço para melhoras.


Prós:

- Ambientação excelente;
- Um susto por minuto;
- Bom repertório de armas;
- Muito bem produzido.


Contras:

- Missões simples e chatas; - Clichê.


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