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Review de LittleBigPlanet para PS3 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


LittleBigPlanet já havia conquistado fãs sem mesmo ter sido lançado. Tudo isso por causa do carisma de pequenos bichinhos feitos de pano que pareciam interagir com um gigantesco cenário de brinquedo e a promessa de inovar dando ao jogador a possibilidade de construir suas próprias fases. Todos os proprietários do PS3 aguardaram por aquele que seria ???o jogo definitivo de plataforma??? do console da Sony, e a campanha de marketing maciça criada para o seu lançamento foi um sinal de que as expectativas eram altas também por parte dos produtores. Será que bonequinhos de pano conseguem erguer um jogo inteiro?

Caixinha de costura

Little Big Planet não tem uma história complexa, não há vilões querendo destruir o mundo. Muito pelo contrário, aqui o mundo existe somente para ser construído pelo próprio jogador. O conceito geral é que todos os sonhos das pessoas da Terra vão para um planeta mágico, e lá pequenas criaturas cobertas de tecido, chamadas de Sack People (sack é aquele tecido marrom bem grosso usado em sacos de batata) são encarregadas de recolher pedaços da imaginação para tornar o LBP um lugar ainda mais bonito.

Sem dúvidas o jogo ultrapassa vários limites da beleza, e não só visual -- ele é poeticamente divertido em todos os aspectos. Desde a apresentação, que deixa qualquer um rindo à toa, até os tutoriais cheios de piadinhas. Bom-humor aparece em cada canto, nos detalhes dos gráficos cuidadosamente trabalhados, na física dos objetos e, claro, na deliciosa personalidade do Sackboy - um bichinho completamente customizável, desde suas roupas, texturas de ???pele??? até expressões faciais. As expressões variam desde um sorriso escancarado até um olhar furioso ??? tudo alterado pelos direcionais do controle digital. Já o Sixaxis faz o Sackboy rebolar e os botões superiores mexem seus braços. Isso não possui nenhuma utilidade física no jogo, mas sem dúvidas fazer seu personagem rebolar com a língua pra fora é muito engraçado.

LBP é um jogo que leva o conceito do ???faça você mesmo??? à enésima potência. Se alguém algum dia sonhou em construir seu próprio jogo de videogame, LBP é a ferramenta perfeita, bem-feita e, sem dúvidas, a mais intuitiva. Um dos objetivos do modo principal é exatamente coletar material, entre texturas e objetos, para construir cenários temáticos no versátil editor de fases. Tudo isso ainda é embalado por uma trilha sonora de botar inveja até nas rádios do GTA, o que demonstra o cuidado do estúdio britânico Media Molecule com o aspecto artístico deste jogo de plataforma. Inclua aí a narração do ator Stephen Fry e seu forte sotaque britânico e temos então um desenho animado de alta classe, uma fábula interativa que nem Walt Disney poderia conceber.

Retalhos bem costurados

A idéia é simples: um jogo de plataforma com puzzles braçais. Braçais porque o Sackboy sempre terá que levantar, puxar, empurrar e explodir alguma coisa para abrir caminho e encontrar os itens que irão decorar o planeta. Itens estes que se estendem em uma lista sem fim: objetos para construção, texturas, adesivos, adereços... tudo aquilo que a molecada juntava na aula de educação artística da escola faz parte desse mundo.

A jogabilidade é extremamente simples e intuitiva, assim como os menus principais e secundários. A princípio, o Sackboy vive em uma nave de papelão (que o jogador decora como quiser). De lá ele seleciona aonde quer ir usando um controle gigante de PS3: para o mundo online, para o mundo onde de aventuras em busca de itens ou em seu planeta particular.

O planeta de aventuras é onde estão as fases prontas, todas inspiradas em partes do mundo real como México, EUA, Japão e África. Ali o jogador atravessa espaços fantásticos em falso 2D com jeito de que foram feitos à mão, recortados em papel e retalhos de tecido ou rabiscados com giz de cera. Muitos lugares não são simples de atravessar e para isso o jogador tem um ???portal??? em determinados pontos da fase como checkpoint. O número de vezes que se pode ???morrer e voltar??? é limitado por cada checkpoint, o que deixa a dificuldade na medida certa. Muitos puzzles só são resolvidos se houver dois jogadores na tela -- seja online ou offline na mesma TV --, mas jogar com duas pessoas não é o ideal de um game de plataforma. Inevitavelmente, alguém fica pra trás e acaba morrendo. Nesse caso, se o Sackboy ficar preso e não conseguir sair, ele pode ???se explodir??? e começar de novo do último checkpoint.

Apesar de parecer um jogo 2D, as fases possuem três ???profundidades??? que eventualmente atrapalham um pouco na movimentação, principalmente naquelas cheias de plataformas móveis. O jogo alterna a posição do personagem automaticamente entre os diferentes planos na maioria das vezes, mas ainda acontece de estar no lugar errado em certos momentos. A cada fase o jogador ganha roupas novas para transformar seu Sackperson no que quiser: ninja, caveira, princesa ou até cafetão bigodudo. Além das roupas, o jogador pode colar objetos decorativos em si mesmo, como flores, penas e adesivos, deixando a customização ainda mais característica.

Porém, o mais importante de LBP não são as fases prontas e sim as que o jogador vai construir em seu planetinha particular. Usando ferramentas diversas e objetos coletados nas fases principais é possível construir qualquer coisa, literalmente. Uma cama elástica gigante cheia de bolas de papel, uma zebra de borracha, um foguete, uma catapulta de vidro... dá até pra construir uma fase inteira e chamar seus amigos para brincar por ali. O menu de construção é simples de usar e é cheio de opções. Recortar, colar, pintar e preenche com cores e texturas. Tudo é ensinado em tutoriais interativos (narrados em inglês), o que facilita muito a brincadeira. LBP é um jogo sem fim, e o melhor: ele é do jeito que o jogador quiser. ?? uma volta à infância, às aulas de educação artística onde nossa criatividade era levada por cola, tesoura e papel.

O conceito de criar e compartilhar está de acordo com a filosofia de sites como o Youtube, e por isso a Media Molecule fez questão de inserir o jogo em um sistema online robusto. Com o console conectado é possível não apenas jogar online com até quatro sackboys simultâneos como acessar o conteúdo criado pelos jogadores. Inevitavelmente, a maioria das fases criadas por terceiros hoje é ruim e não merece ser jogada, mas quem realmente se interessar em estender a vida útil do jogo poderá achar algumas pérolas em fórums de discussão dedicados a LBP. Pode ser uma minoria, mas existem pessoas extremamente dedicadas a criar fases tão boas ou ainda melhores que aquelas do jogo principal, e como sempre há pessoas com tempo e persistência para bolar coisas diferentes, já é possível achar versões exóticas de jogos como Gradius e Duck Hunt criadas pelo sistema de LBP.


O Veredicto: Little Big Planet é, sem dúvida, um dos jogos mais divertidos e bem bolados do PS3. Bonito de se ver e jogar, ele também dá absoluta liberdade de criação e prova que com a nova geração de consoles chegam também novas idéias, completamente fora do formato convencional. Os videogames já têm uma cultura própria estruturada, e LPB evidencia que essa cultura pode ser rica, estimulante e inovadora. ?? importante para a própria indústria mostrar que não se vive só de shooter em primeira pessoa ou jogos de futebol, e que mesmo conceitos que pareciam acabados desde Mario e Sonic ainda podem ser completamente renovados com as novas tecnologias. Criatividade ainda é melhor que a violência, mas não se deixe enganar: o Sackboy também dá uns sopapos no jogo.


Prós:

- Lindo, dos gráficos à trilha sonora;
- Divertido de jogar;
- Sistema de física complexo;
- Bom humor na dose certa.


Contras:

- O sixaxis poderia ter outra função além de fazer o Sackboy rebolar;
- A maioria das criações online é ruim.


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