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Review de Fallout 3 para PC de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Há dez anos, Fallout 2 se destacou no gênero RPG por ter uma ambientação rica e familiar. Mesclava as esperanças da era atômica com os medos concretos de um futuro carregado de doses de violência e humor negro inéditos nos games. Sua irreverente abordagem de temas adultos, unidos ao melhor estilo ciberpunk, conquistaram a admiração daqueles que, esperançosamente, aguardaram uma seqüência até o fim do estúdio Black Isle.

Fallout 3 é, portanto, um aguardado retorno a um futuro imperfeito com o excelente benefício de contar com os avanços da nova geração. Os produtores da Bethesda aceitaram um grande desafio ao reformular essa franquia pós-atômica nos moldes de Elder Scrolls IV: Oblivion, seu mais recente sucesso rpgístico, quando o dois primeiros Fallout se caracterizaram por um 2D bastante precário. Para nossa sorte, o risco valeu a pena, pois o futuro retrô dos Estados Unidos pós-apocalíptico está mais real e emocionante do que nunca.

War never changes...?

Fallout 3 quebra tradições tão logo o personagem principal literalmente sai do útero materno. Inovando, também, ao adotar as perspectivas de primeira e terceira pessoa e gerar uma ligação instantânea entre o protagonista e seu pai. Os estágios de crescimento que se seguem introduzem o jogador na vida de uma comunidade que se trancou em um dos imensos cofres do governo (chamados de vaults) para sobreviver ao holocausto nuclear.

Esse prólogo serve para ensinar as mecânicas do jogo de uma forma bem natural, apresentando situações para moldar as habilidades e, até mesmo, caráter do personagem principal. Após essa introdução, a vida dentro do vault 101, controlada por um Overseer megalomaníaco, muda repentinamente em meio a uma invasão de baratas irradiadas e a inesperada fuga do pai do protagonista. Seguindo os passos de seu progenitor, o jogador finalmente escapa para a liberdade e dá de cara com a desolação de um mundo devastado, perigoso e radioativo.

A introdução de Fallout 3 é uma das mais envolventes já criadas até hoje, e grande parte do apego irresistível do jogo se atribui a isso. A outra parte está na jogabilidade ativa e livre, que quebra as barreiras da estratégia de turnos dos títulos anteriores, promovendo uma experiência mais apropriada para os públicos atuais acostumados à ação frenética dos RPGs de ação como Mass Effect e Fable 2. A adaptação da jogabilidade, no entanto, não estaria completa sem o sistema de mira que se firmou como marca registrada da série. O Vault-Tec Assisted Targeting System ou apenas VATS, permite ao jogador pausar a ação com o uso de action points para fazer tiros em partes específicas do corpo com o cálculo imediato da habilidade do personagem até as mais diversas condições de visibilidade do combate. O resultado do uso do VATS é quase sempre sangrento e brutal, com o desmembramento em câmera lenta das partes selecionadas ou ainda resultando em um acerto crítico capaz de explodir cabeças ou transformar inimigos em montinhos de poeira ou gosma derretida. O visual e a dinâmica do combate de Fallout 3 são em muito enriquecidos por esta mecânica, e a grande variedade de armamentos permite manter a jogabilidade emocionante pelas dezenas (ou até centenas) de horas necessárias para explorar o jogo por completo.

O sistema de criação de personagens de Fallout 3 é diretamente adaptado dos jogos anteriores e, portanto, permite a concepção de personagens com diversas habilidades úteis como abrir fechaduras, reparar equipamentos, manuseio de explosivos, movimentação furtiva e o uso dos mais diversos armamentos. A adaptação do sistema foi particularmente feliz ao trazer um grande equilíbrio entre as perícias, deixando cada construção de personagem com uma abordagem diferente em tudo. O sistema de níveis também foi modificado de forma a dar uma das habilidades especiais (denominadas de perks) a cada nível, o que permite maior variedade e especialização dos personagens.
Nem tudo é perfeito, no entanto. A dificuldade do jogo é geralmente insatisfatória para personagens bem montados, e as dificuldades maiores dão tantos pontos de experiência que é fácil atingir o limite de 20 níveis do jogo com menos de 1/3 do conteúdo explorado.

O início e o fim

Apesar das previsões pessimistas do inverno nuclear, os arredores devastados de Washington D.C. não são desabitados. Aglomerados de sobreviventes são vítimas constantes de bandidos carniceiros como os raiders, traficantes de escravos, mercenários, gangues, formigas e escorpiões gigantes, animais selvagens, robôs assassinos e até um exército de super mutantes armados até os dentes. Por sorte, existem também organizações empenhadas em ajudar os sobreviventes, sendo a mais importante certamente a Brotherhood of Steel, soldados treinados equipados com armaduras e armas da mais alta tecnologia que travam uma luta sofrida e sob á sombra da ameaça do Enclave, seus arqui-inimigos ainda mais avançados.

Esse tênue equilíbrio de forças é um terreno fértil, que gera diversas oportunidades para o personagem principal executar várias quests que afetarão as vidas dos habitantes do deserto. No povoado mais próximo do vault 101, Megaton, o personagem logo pode escolher ajudar os habitantes da cidade construída ao redor de uma ogiva nuclear com seus problemas e desativar a bomba ou, simplesmente, aceitar a oferta de um gângster de um povoado vizinho e explodir a cidade inteira sem remorsos. A liberdade moral e a enorme gama de opções para completar quests deixam o jogo sempre diferente cada vez que é jogado. Os personagens interessantes associados às falas sucintas e bem escritas deixam a experiência tão fluida que até o jogador mais impaciente vai conseguir se envolver com a narrativa sem se entediar.

Lost in translation

Muitos fãs da série podem dizer que Fallout 3 não é uma adaptação completamente bem sucedida, pois simplifica demais certas características dos anteriores. O humor negro não é tão cáustico quanto antes, a interação com personagens não é tão profunda ao ponto de ser imprescindível manipular sua reação, o sistema de mira não se aplica a combate corpo-a-corpo. Os acertos críticos não são tão variados, e a limitação de personagens acompanhantes não permite um grupo diverso. Para bem ou para mal, Fallout 3 se diferencia também ao apresentar uma quest principal muito bem definida. A busca do pai do personagem principal leva a eventos capazes de mudar para sempre a vida dos sobreviventes e traz momentos inesquecíveis cheios de ação e surpresas que elevam o jogo a um patamar equiparável ou até superior a seus antecessores. Porém, infelizmente, diferente das séries de quests de Oblivion, a campanha principal de Fallout 3 é tão intensa quanto curta, e muitos jogadores se surpreenderão ao completar o jogo sem querer. Esse problema poderia ser facilmente evitado com incentivos maiores à exploração dos locais visitados, pois certamente há conteúdo de sobra para explorar. As diferenças negativas podem frustrar um pouco os conhecedores dos jogos antigos, mas basta jogar o suficiente para ver que o futuro pós-apocalíptico jamais foi representado com uma narrativa e visual tão envolventes e trabalhados.

O Veredicto

Tecnicamente Fallout 3 é uma verdadeira obra-prima. A ambientação sombria de um futuro ainda possível com uma narrativa emocionante e envolvente em um mundo de contrastes irônicos trazem de volta um dos maiores sucessos do RPG ocidental. O novo jogo se inspira nos anteriores e mantém o cenário singular desta série de RPG, mas é diferente nas virtudes, como a jogabilidade que segue um esquema mais atual e o sistema gráfico de ponta, e nos defeitos, como o humor negro diluído e a interação menos profunda com os personagens secundários. No geral, é uma atualização muito bem feita, que garante o sucesso da franquia para as próximas décadas.


Prós
  1. Campanha principal emocionante e envolvente;
  2. VATS com desmembramento em câmera lenta;
  3. Possibilidade de pulverizar uma cidade inteira;
  4. Sistema de perícias bem incorporado e equilibrado;
  5. Gráficos e direção de arte de excelente qualidade.


Contras
  1. Campanha principal curta;
  2. Dificuldade e pontos de experiência desequilibrados;
  3. Sistema de companheiros limitado;
  4. Humor negro um pouco diluído.



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