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Review de Tom Clancy's EndWar para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Ambientando no mesmo universo de outras criações de Tom Clancy como Ghost Recon, Rainbow Six e Splinter Cell, a estratégia em tempo real de EndWar narra os eventos que antecedem a Terceira Guerra Mundial, para depois adentrar no próprio conflito, contando sua história sob três diferentes pontos de vista: o dos russos, europeus e norte-americanos. O jogo chamou muita atenção devido ao seu revolucionário sistema de comando por voz, além da possibilidade de misturar diversos elementos para criar exércitos altamente customizados baseados em apenas sete diferentes unidades.

III Guerra Mundial

A história do jogo é contada a partir de 2011, quando os EUA e a União Européia decidem criar o SLAMS (Space-Land-Air Missile Shield), uma espécie de rede de satélites formada para abater mísseis nucleares táticos (principalmente intercontinentais) antes que estes atingissem seus alvos. A Rússia, sendo deixada de fora do acordo, desenvolve seu próprio SLAMS, e todos entram em funcionamento por volta de 2014, mediante uma enorme celebração com o fim da possibilidade de uma guerra nuclear e o início de uma nova (e curta) era de paz. Mas, como notícia ruim tem perna curta, pouco tempo depois o mundo é alertado sobre o fato de que as empresas petrolíferas haviam superestimado as reservas de petróleo existentes, que já apresentavam sinais de acabar ??? com isso, iniciou-se um processo de fechamento das fronteiras nacionais, durante o qual cada país se preocupava somente em manter suas reservas.

Com o preço do barril de petróleo acima dos USD 800,00, a crise começou a tomar formas mais agressivas e o mundo inteiro começava a se preparar para uma nova guerra, desta vez, voltando seus olhos para o espaço sideral, onde enormes estações poderiam ser construídas e utilizadas para bombardear inimigos ou enviar tropas para qualquer lugar em poucos minutos. O primeiro país a efetivar uma destas estações foram os Estados Unidos, e seu lançamento foi o estopim para um confronto que envolveu os três superpoderes de 2020: EUA, Rússia (com algumas das maiores reservas petrolíferas ainda existentes) e a Federação Européia, além de forças terroristas misteriosas que vão sendo desvendadas aos poucos, na medida em que a história se desenvolve, através de reportagens de televisões, relatórios militares e conversas entre os personagens principais da trama.

EW se diferencia dos demais jogos de RTS em diversos aspectos, mas principalmente pelo seu controle através de comandos de voz proferidos pelo jogador, que assume o papel de comandante de operações e deve guiar as unidades em combate. A interface é simples e composta de três elementos: quem (ou seja, qual de suas unidades, numeradas de 1 a 12 ??? número máximo em qualquer momento); o que (atacar, fugir, mover-se, observar, dar suporte, etc.); e a quem (inimigo ou local, principalmente). Um comando simples como enviar uma unidade de gunships para atacar uma tropa de tanques inimigos seria algo como dizer ???Unit 1 Attack Hostile 1???. Caso a unidade sofra muitos danos, pode ser interessante que ela bata em retirada, uma vez que ela pode voltar na fase seguinte com a experiência acumulada da batalha anterior (que pode fazê-la subir de nível ??? até o sexto no máximo ??? aumentando seu ataque, defesa e velocidade), ordenando algo como ???Unit 1 Retreat???. A precisão dos comandos é impressionante, capaz de reconhecer sotaques e o timbre de voz do jogador, calibrados anteriormente. A agilidade que ele oferece também cria toda uma nova dinâmica para o gênero, finalmente encerrando a supremacia do conjunto mouse + teclado sobre os controles dos consoles, consolidando EndWar como um RTS efetivamente planejado e desenvolvido para videogames.

A movimentação das unidades fica um pouco estranha, primeiramente porque só é possível enviar as unidades para certos pontos no mapa, determinados e indicados logo no início da missão, e nomeados através de codinomes militares como Alpha, Foxtrot, Delta, dentre outros. Apesar de ambientar o jogador e causar uma sensação de planejamento militar realista, isso limita um pouco a distribuição das forças de ataque e defesa, tornando as estratégias menos variadas. Além disso, a câmera segue a unidade atualmente selecionada, portanto, é necessário ficar variando entre elas para conseguir observar todo o campo de batalha, a energia dos inimigos que elas estejam enfrentando e sua atual localização. O estado de cada tropa é indicado na parte de baixo da tela, mas o mais interessante são as conversas por rádio, que chamam a atenção do comandante para a situação atual de determinada unidade, incluindo pedidos de socorro, informações sobre aeronaves caídas, veículos destruídos, soldados feridos, dentre outros. ?? importante ficar de olhos e ouvidos bem abertos para compreender a imagem geral do combate, como em uma guerra de verdade.

Cada tipo unidade é forte contra um tipo e fraco contra outro, utilizando um sistema de pedra-papel-tesoura usualmente visto em jogos de estratégia de portáteis, como Final Fantasy XII Revenant Wings, Heroes of Mana e Fire Emblem. Diferente destes, no entanto, as unidades de EW podem ser amplamente customizadas, diminuindo suas fraquezas ou reforçando seus pontos fortes, através de ganho de pontos de experiência (após derrotar unidades inimigas e sobreviver à batalha) e de compra de novos equipamentos, que habilitam não só melhorias de atributos como também novas habilidades especiais e de suporte, como ataques aéreos cirúrgicos ou até mesmo ogivas nucleares táticas, capazes de enormes estragos e lindos efeitos visuais. Essas habilidades de suporte podem ser ativadas por comando de voz ou por botões de atalho, agilizando seu uso.

Para colocar mais unidades em campo, ou para utilizar as habilidades especiais de suporte, é necessário o dispêndio de command points ou CPs, adquiridos com o passar do tempo, conquista de determinados pontos do mapa (como commlinks ??? centros de comunicação) e derrota de adversários.

Apesar da presença do comando vocal, EndWar também pode ser jogador apenas com o controle normal, com a mesma eficiência, provando novamente a preocupação que a Ubisoft teve em formatar a experiência para consoles caseiros.

Sr. Clancy

Os jogos que levam o nome de Tom Clancy antes de seu título são notórios pela busca de uma simulação mais precisa da realidade, e EndWar não é diferente. Mesmo utilizando o sistema simplificado de solicitar um ataque a uma unidade (sem especificar quaisquer detalhes) ou movimento para um local predeterminado, as tropas reagem de maneira inteligente, chegando sorrateiramente, manobrando de maneira a obter cobertura de algum terreno próximo, cercando o inimigo para evitar sua fuga, dentre outros, exibindo uma forte experiência cinematográfica, bem mais empolgante que o monótono fogo cruzado presente em outros títulos do gênero.

Os modelos utilizados são detalhados, principalmente os cenários, com o uso de cores realistas e muitos efeitos especiais de explosões, danos à propriedade (por exemplo, combates entre tanques deixam diversos buracos de explosões de seus canhões no chão ao redor). Infelizmente, escaparam muitos serrilhados, que se tornam mais evidentes na medida em que a câmera se aproxima mais do cenário, mas estes acabam ofuscados pelo show de efeitos especiais, tiros, mensagens de rádio, trocas de unidade para visualização e a distração proporcionada principalmente pelas tropas compostas por soldados (riflemen e engineers), que correm, gritam, arrastam os colegas caídos, entram em prédios para se esconderem e tomarem posições de franco-atiradores, dentre inúmeras outras reações.

A trilha sonora não é especialmente instigante, com temas que parecem ter saído de filmes de guerra genéricos e todos muito familiares. A atuação de voz dos personagens é sofrível, principalmente os sotaques africanos e de personagens do Oriente Médio, que ficaram um tanto caricatos e carregados demais para um jogo tão sério. Os efeitos sonoros, por outro lado, são excelentes, e a quantidade e variedade de frases proferida durante uma fase pelos soldados é tamanha que parecem estar sempre se renovando, ao contrário da maioria dos concorrentes, nos quais cada tipo de tropa tem duas ou três frases características. Também ao contrário destes, o que é dito em EndWar é constantemente uma fonte útil de informação.

Um Mundo Online

A experiência solo de EndWar é interessante, mas o jogo brilha realmente em seu Theatre of War, um mapa online acessado através da Live (e a modalidade principal do jogo ??? sendo a campanha para um jogador uma espécie de extra) onde cada jogador escolhe uma das três facções para representar e confronta jogadores das facções rivais em determinados pontos do mapa (que tem o formato da Terra). Ao final de cada dia, são contabilizadas as vitórias e derrotas e cada facção conqusita ou perde determinados territórios, conforme sua performance. Isso permite um dinamismo e competitividade únicos, criando nos jogadores um incentivo e apego emocional mais forte do que os rankings comuns.

Os vários tipos de missões ??? dentre eliminar totalmente o inimigo, capturar determinado número de territórios ou defender certa localidade, por exemplo ??? injetam um sopro de ar fresco em cada nova partida, podendo ser previamente selecionados ou randômicos (modalidade preferida pelos jogadores online), permitindo que certos tipos de exércitos brilhem em algumas modalidades, mas fiquem prejudicados em outras, aumentando a quantidade de estratégias e possibilidades de customização.



O Veredicto: Tom Clancy???s EndWar torna-se uma aquisição interessante por uma série de fatores, mas principalmente por ter sido desenvolvido de maneira a tornar a experiência o mais amigável possível para os usuários de um controle, quer estejam fazendo uso de um microfone ou não, simplificando e alterando os principais elementos da estratégia em tempo real, mas mantendo um grau de complexidade interessante e que permitisse o uso de variadas estratégias, conforme as preferências de cada um. Somando-se isso a uma experiência extremamente cinematográfica e uma enorme comunidade competitiva presente na Live, EW é uma alternativa bem interessante para quem procura estratégia em consoles.


Prós:

- Sistema de controle inovador que faz o jogador se sentir um verdadeiro comandante;
- O universo online em constante mudança;
- Customização de tropas torna o conceito de pedra-papel-tesoura mais complexo e interessante.


Contras:

- Gráficos pouco caprichados, com muitos serrilhados;
- Poucos tipos de unidades deixam a impressão de tudo ser muito parecido;
- Não há diferenças reais entre as facções no que tange tropas e habilidades especiais.


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