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Review de Prince of Persia (2008) para X360 de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Prince of Persia




Distribuidor: UbiSoft
Programador: UbiSoft
Categoria: Ação/Aventura
Data da Análise: 12/12/2008
Autor: Bruno Abreu - Outer Space

Com a trilogia de Prince of Persia lançada na geração anterior de consoles a Ubisoft conseguiu um feito raro: reformular totalmente uma franquia e fazê-la tão boa quanto o primeiro jogo da série. Na nova geração, Prince of Persia chegou tarde, mas veio com uma proposta louvável de ser novamente reinventado. Mas será que esse merece o mesmo aplauso de seus antecessores?

Prince of Persia for Dummies

No que mais costuma diferenciar um jogo da nova geração ??? o visual ???, Prince of Persia se sai muito bem. Os gráficos, que já eram ótimos nos anteriores, foram incrementados com um estilo de desenho original para a série, um ???cel-shade??? detalhado que lembra uma animação do diretor japonês Hayao Miyazaki, de filmes como A Viagem de Chichiro e Meu Vizinho Totoro. O resultado é espetacular, e muitos devem querer experimentar Prince of Persia apenas para ver os lindos ambientes e a arte de altíssimo nível.

Porém, a mudança maior aparece na jogabilidade, e esta sim tomou uma direção contrária à evolução habitial, a não ser que quem o jogue espere uma diversão casual comparável a Wii Sports. Prince of Persia é um jogo da geração Wii, fácil, simplificado, que praticamente se joga sozinho.

A escolha da Ubisoft por fazer um jogo acessível não é errada, e algumas decisões como a de fazer o protagonista imortal mesmo quando o jogador o atira em um precipício é ousada e interessante. O erro está na dose.

Não existe ???Game Over??? em Prince of Persia, não é possível perder uma luta ou errar um pulo, já que a personagem que escolta o jogador por toda a aventura tem um recurso sobrenatural de materializar-se onde quiser e estender a mão ao jogador para salvá-lo. Ou seja, pulou errado? Uma mão irá salvá-lo da queda e colocá-lo de volta à plataforma. Esqueceu de apertar os botões na luta? Elika, a escolta, irá usar uma magia que afasta o inimigo e simplesmente ???dá um reset??? na batalha, recuperando a energia do monstro e recolocando o jogador na arena. Até aí, nada grave quando se pensa que o sistema, por mais absurdo que possa parecer, apenas substitui a necessidade de salvar e carregar para o instante antes de morrer. Mas essa é apenas uma característica que mais salta aos olhos, sendo o que incomoda de verdade é a jogabilidade simplificada ao mínimo denominador dos jogos casuais.

A essência de Prince of Persia sempre foi as acrobacias e o estimulo ao jogador a bolar uma forma de usá-las para superar os desafios do cenário. Aqui, esse elemento foi praticamente descartado, seja em conseqüência do exagero dos movimentos (o herói pode até andar sob o teto como uma aranha) ou pelo fato de que o jogo parece já realizar sozinho grande parte das acrobacias, restando à pessoa apertar o botão certo na hora certa. Em alguns momentos, Prince of Persia parece um jogo de ???Quick Time Events??? como aquelas sequências de CG interativas de Resident Evil 4 onde se deve apenas apertar um botão que é mostrado na tela. Há inclusive essa indicação do que apertar por toda a jornada, embutida no menu como ???Tutorial???. Um tutorial que é útil nos primeiros instantes, mas que, a não ser que o jogador tenha a idéia de desligá-lo nas opções, ficará com ele pelo resto da aventura.

As fases também não colaboram para dar estímulos ao raciocínio. Embora sejam mais abertas que antes, as situações forçam a repetição de coisas banais como simples pulos que desencadeiam eventos, como escorregar sozinho por uma rampa até ela terminar e o jogador dar um novo pulo. Ao pular em uma coluna, o personagem já vira, fica na direção sugerida para o caminho e assume a postura para o próximo pulo, ou seja, foi-se a necessidade de enxergar a próxima plataforma e a graça de um controle mais justo, com resposta precisa do que se faz no stick. Alguns cenários avançados no jogo mostram sinais do que seria um grande jogo de plataforma, caso houvesse mais liberdade de controle e menos necessidade de andar ???em trilhos???.

O combate também parece artificial: ele é um evento destacado do resto, e acontece em uma arena sempre que o jogador pisa nela. Nem é necessário dizer a essa altura que derrotar o inimigo é apenas uma questão de apertar um ou dois botões sem muito atraso, às vezes bastando um golpe para acuar o adversário e derrotá-lo em segundos. Alguns combos podem ser feitos com a personagem secundária, mas na grande maioria das vezes são desnecessários.

Terminada a fase, o cenário que começa sombrio e dominado por uma força maligna se enche de flores em um efeito muito bonito. Aí, resta ainda ao jogador usar as habilidades do herói -- incluindo um novo movimento de forçar as garras contra a parede e escorregar por ela -- para recuperar esferas mágicas que serão necessárias para abrir o caminho para outras fases. Ter que andar novamente pelo caminho já percorrido antes do final da fase não é nada estimulante, mas uma necessidade inconveniente.

Conhece aquela do príncipe?

Prince of Persia parece um laboratório de testes para a Ubisoft, não só pelas mudanças (na maioria das vezes bem vindas) na jogabilidade como na incerteza sobre como deve ser a personalidade do protagonista. Do personagem mudo do jogo original, o herói evoluiu a um acrobata de visual mais moderno em Sands of Time, passando por um fã raivoso de heavy-metal em Warrior Within até se tornar um tipo humorista-descontraído neste novo jogo. Ter uma escolta permanente no jogo significa mais conversa, e embora o enredo seja melhor que os dos jogos anteriores, o papo entre o príncipe e sua companheira Elika é irritantemente bobo.

Apertar um dos botões nos ombros do controle inicia um novo diálogo, que é opcional mas serve para contextualizar a ação. Apertando o botão inverso, Elika também se mostra útil ao lançar um feitiço que corre pelo cenário indicando aonde ir. ?? mais uma ajuda para assegurar que a única frustração de Prince of Persia esteja em seu excesso de benevolência.


O Veredicto: Prince of Persia é um jogo difícil de avaliar. Por um lado, há um jogo de plataforma casual como nunca existiu, que praticamente se joga sozinho; por outro, o fato de ser um produto feito com a mentalidade de buscar o público que nunca jogou ou acha videogame complicado demais acaba alienando a parcela mais hardcore, que foi justamente a base de fãs de Prince of Persia até hoje. O consenso é que a série nunca teve um visual tão envolvente, mas se o rumo escolhido pela Ubisoft foi acertado ou não só se saberá no final desta geração, quando os casuais terão destruído o que se entendia por jogabilidade ou as produtoras terão achado uma fórmula para agradar aos dois universos: aquele que compra Wii Music e aquele que compra Metal Gear Solid 4.

Prós:

- Visual de desenho animado;
- O empenho para ser original.


Contras:

- Jogabilidade é uma lambança;
- Humor clichê e bobíssimo;
- Fases repetitivas;


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