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Review de Grand Theft Auto: Chinatown Wars para DS de Outer Space

por Guimephiles, fonte Outer Space, data  editar remover


Ao ouvir falar de GTA no Nintendo DS, a primeira coisa que deve vir à mente de muitos jogadores são as limitações do portátil, como os gráficos e o espaço pequeno do cartucho. Afinal, se os jogos da série no PSP já parecem versões capadas daqueles de PS2, o que esperar de uma versão para um portátil de qualidades técnicas mais modestas em tempos de GTA IV para Xbox 360 e PS3?

Chinatown Wars chega ao DS como uma surpresa agradável, tanto para o Nintendo DS, que tem uma vasta biblioteca, mas com poucos jogos de qualidade neste tema, quanto para a própria série da Rockstar, que consegue fugir da mesmice ao forçar a adaptação a uma plataforma diferenciada.

Answer the Payphones

Aos passar os olhos por Grand Theft Auto: Chinatown Wars, a primeira referência visual que vem à mente são os clássicos da série GTA, como GTA I, II e London, em que a ação era visualizada de cima com tudo em duas dimensões. Os gráficos eram tão simples que a série só conseguiu chamar atenção de moralistas preocupados com a violência nos jogos eletrônicos quando chegou a sua terceira edição e, conseqüentemente, ao 3D.

Mas em poucos segundos é possível perceber que os visuais em Chinatown Wars não são tão simples como na série clássica. Existe uma sensação de profundidade em todo o cenário, garantida pela movimentação da câmera e uma modelagem verdadeiramente tridimensional da cidade. Existem efeitos básicos como raios nas chuvas, ciclo de dia/noite e animações caprichadas em explosões de molotovs e em outros momentos piromaniacos. Para contornar a limitação gráfica do DS, a Rockstar recorreu a um estilo gráfico estilizado, meio cel-shaded, uma estratégia que funcionou bem ??? muito melhor do que tentar criar uma simulação realista ou deixar visuais idênticos aos dos jogos antigos, que são as abordagens-padrão de muitas desenvolvedoras ao transportar alguma série para o portátil.

Em contrapartida, a parte sonora deixa um pouco a desejar, principalmente pelo fato de terem sido forçados a abdicar da dublagem. Obviamente, não seria viável incluir tanta fala em um diminuto cartucho, e a solução seria mesmo se valer do texto escrito, mas como a interpretação sempre foi um dos pontos altos de GTA, ela se faz sentir aqui. Já a trilha sonora também não tem o impacto de sempre, com músicas conhecidas em alta-fidelidade. Foi subsitutída por composições instrumentais muito boas e cheias de groove, mas distantes daquela marca-registrada da série.

Adaptado ao DS

Em Grand Theft Auto: Chinatown Wars, o personagem principal é o jovem Huang Lee, filho de um chefão das tríades (a máfia chinesa) que morreu recentemente na China. Mas ao chegar em Liberty City, ele é atacado por gangues rivais, que o alvejam na cabeça e roubam a ???Yu Jian???, uma espada de sua família.

Na metrópole cosmopolita, que usa o mesmo mapa de GTA III e IV, Lee começa uma busca para encontrar aqueles que o atacaram no aeroporto, recuperar a ???Yu Jian??? e vingar o assassinato de seu pai. Para isso, ele se envolve em disputas de poder e brigas entre as tríades locais. Ou seja, aquele bairro chinês que servia para apenas algumas poucas missões nos outros GTAs agora é o centro da história, e o jogador poderá ver a mesma Liberty City pelos olhos de outros bandidos, e pelo visual único desta adaptação de Nintendo DS.

A estrutura básica é semelhante à de qualquer jogo da série: o personagem principal realiza uma série de missões para avançar na história, que é recheada com o humor irônico característico da Rockstar ??? desta vez temperado com um clima asiático. Para controlar a movimentação e alguns comandos básicos de Lee, o jogador usa os botões do DS, enquanto a tela sensível ao toque é usada para controlar comandos avançados como o GPS, funcionalidades do PDA do personagem, mini-games variados e outras diversas interações. O uso do direcional digital é um pouco incômodo: em muitos momentos o personagem anda em ???zig-zag??? e o controle dos carros fica complicado ??? nem existem ruas na diagonal, para evitar problemas piores.

Mas em contrapartida, um dos grandes prós de Chinatown Wars está no uso da touchscreen. Enquanto muitos títulos para DS ???forçam??? o uso da telinha, atribuindo a ela comandos que poderiam ser facilmente incorporados aos botões, aqui ela é utilizada em ótimos momentos, geralmente aqueles em que o jogador pode se dar ao luxo de parar a ação para pagar um pedágio, fazer uma ligação direta em um carro ou marcar um ponto no GPS. Até a mesmo a troca de armas, que foi atribuída à tela sensível ao toque, ficou boa ali, já que ela pode ser realizada com uma boa velocidade em um momento complicado, mas não de forma instantânea como na maior parte dos jogos, garantindo um certo ???realismo??? neste aspecto.

Os famigerados mini-games que utilizam a tela sensível ao toque também se encaixam perfeitamente no clima do jogo. Desde que Mario 64 publicou uma coletânea de mini-games, que mais serviam como uma demonstração do potencial do portátil que qualquer outra coisa, muitos desenvolvedores para DS simplesmente imitaram a idéia, criando mini-games repetitivos e sem qualquer ligação com um jogo ???de verdade???, o que não é o caso em Chinatown Wars.

Agora a tela inferior é usada quando o jogador precisa enfiar uma chave de fenda na fechadura de um carro (existem outras formas mais sutis de roubar veículos), montar molotovs em um posto de gasolina e em muitos outros momentos. Nesse aspecto, o novo GTA consegue fazer o que poucos jogos como Trauma Center, Nintendogs e Elite Beat Agents conseguiram: utilizar com qualidade o potencial único do DS.

Outro elemento único de Chinatown Wars é a inclusão do tráfico de drogas entre as atividades que podem render dividendos ao protagonista. Como Lee, o jogador pode fazer dinheiro facilmente comprando substâncias em alguns pontos da cidade e revendendo-as em outros, sempre negociando com outros traficantes. O sistema é simples e indica aos jogadores quando eles estão realizando uma boa transação, mas é surpreendente a velocidade em que é possível fazer dinheiro com esse ???ramo???, principalmente com a dupla heroína e cocaína. E apesar de se integrar perfeitamente ao resto do jogo, sempre fica uma impressão de que o elemento ???tráfico de drogas??? foi implementado para incomodar moralistas e chamar atenção.

Chinatown Wars também oferece variações dos modos multiplayer que apareceram na série desde o PSP. Mais uma vez, só podem ser jogados em link direto entre dois DS (como ocorria com o PSP) e não online como GTA IV.

O Veredicto: Diferente das adaptações de GTA para PSP, Chinatown Wars é se encaixa perfeitamente na plataforma em que foi criado. O que poderia ser chamado de gráficos medíocres é facilmente contornado por um estilo artístico único, e no final tem-se um dos jogos mais bonitos do DS. E única também é a jogabilidade, que usa a tela sensível ao toque de forma inteligente e dá um pouco de variedade à série que já está desgastada. Um dos melhores jogos para DS até o momento e também um dos melhores da série GTA.


Prós:

- Tela sensível ao toque bem utilizada;
- Se encaixa bem nas limitações e qualidade do DS;
- Humor irônico da Rockstar brilhou como sempre;
- Um dos melhores gráficos do DS.


Contras:

- Dublagem faz falta; - Controle no direcional digital para jogo 3D não é ideal;
- Ainda é uma derivação dos GTAs grandes, e a fórmula está desgastada.


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